Indústrias de base

Indústria de base é a que produz ou fabrica matérias-primas a serem utilizadas por companhias de outros setores. Entre as indústrias de base destacam-se as que atuam no ramo da siderurgia, da mineração, produção de cimento e as as petrolíferas.

Ao contrário das indústrias de bens de consumo, que atuam diretamente com o consumidor final e os shoppers, as indústrias de base vendem predominantemente para clientes do segmento industrial. Ou seja, os materiais produzidos por este tipo de indústria servem para suprir as necessidades operacionais de outras companhias. São empresas que fabricam produtos que geram outros produtos. Dessa forma, existe a necessidade de maquinaria pesada para o seu funcionamento, por isso as indústrias de base também são chamadas de indústrias pesadas.

Geralmente, as indústrias de base acompanham o desenvolvimento dos países em que estão instaladas. Portanto, se a economia demonstra avanço ou recuperação, o primeiro setor a apresentar sinais de crescimento é o da indústria pesada. Isso ocorre a partir de um aumento da demanda. Por ser considerada por economistas como a viga mestra do parque industrial, a oscilação deste segmento é apontada como um termômetro econômico. Quando ele está positivo, significa que o restante da cadeia produtiva também está em alta.

A indústria de base apresenta elementos como impacto ambiental, complexidade nos processos de produção, alto índice de investimento para a sua formação e geração de empregos com mão-de-obra de diversas qualificações. Em outro aspecto, costuma afetar a cadeia de produção por trabalhar com produtos massivos e grande parte de suas atividades concentra-se na montagem dos materiais, ao contrário da indústria de bens de consumo, mais voltada à promoção e relacionamento com o consumidor final.

Entre as atividades mais conhecidas das indústrias de base destacam-se os processos de secagem supercrítica, fundição, congelamento, lavagem e liquefação. Como a matéria-prima encontra-se em estado bruto na natureza, normalmente misturada com outros elementos, estas atividades têm por objetivo obter substâncias úteis para indústrias de outros segmentos.

No que se refere ao impacto no meio ambiente, as indústrias de base são alvos da preocupação de ONGs transnacionais e think tanks, que denunciam suas atividades por meio de protestos ou ações judiciais. Alguns especialistas afirmam que as ações destes órgãos têm somente o sentido de manter o subdesenvolvimento em nações mais pobres, tendo em vista que sempre enfatizam suas atividades em territórios que ainda possuem vastos recursos naturais. Assim, estas nações são impedidas de realizar a manufatura de seus próprios meios devido à constante fiscalização destes grupos internacionais.

Indústria de base no Brasil

Entre os anos de 1930 e 1955, o Brasil passou por um período de transformações devido à turbulência global causada pela Segunda Guerra Mundial e pela recessão econômica originada na Crise de 1929. Naquela época, o presidente Getúlio Vargas foi responsável pela condução de um governo de cunho nacionalista e desenvolvimentista. Desta forma, em seus anos de mandato o Brasil abandonou a posição de país preponderantemente agrícola para ingressar em um tempo de industrialização e direitos trabalhistas referentes ao operariado. Com isso, surgiram as primeiras indústrias de base nacionais.

O governo Vargas, ao verificar que o país não podia somente focar na exportação de café, fortaleceu o setor industrial e, consequentemente, o econômico. Houve diminuição de gastos em relação à área de importações e equilíbrio nos pagamentos. Ocorreu o incentivo na direção do desenvolvimento de outros segmentos em relação a produtos como fumo, cacau e algodão.

Com a criação de institutos nacionais, houve redirecionamento de investimentos para as indústrias de base. O Estado passou a intervir fortemente na economia, mantendo seu crescimento. Porém, o parque industrial brasileiro passou por um processo de desindustrialização a partir dos anos 1980. No começo do século XXI, somente 10% da atividade industrial foi considerado no PIB (Produto Interno Bruto), representando uma queda de 50% em relação aos governos anteriores à década de 1980.

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