Clima do Rio Grande do Norte

Rio Grande do Norte apresenta dois tipos de clima: o tropical úmido e o semiárido. O primeiro está concentrado na costa potiguar e em pontos de maior altitude. O segundo ocorre em todo o resto do território, especialmente no centro e no sul. O estado se destaca pela baixa amplitude térmica anual, que não ultrapassa os 10ºC, e pela alta insolação solar anual (entre 2400 e 2700 horas). A proximidade com a Linha do Equador é outro fator muito importante, já que esse exerce influência direta sobre o clima local, através da ação constante dos ventos alísios.

Vários sistemas meteorológicos atuam sobre o estado. Dentre eles, pode-se destacar: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), Vórtice Ciclônico de Ar Superior (VCAS), Sistema de Brisas e Ondas de Leste. Além disso, por estar situado entre 4 e 6ºS, o estado também sofre influência direta dos ventos alísios. São eles, aliados à influência sinótica do centro de alta pressão do Atlântico (anticiclone), que permitem o forte regime eólico na região. Em geral, a ocorrência de ventos mais intensos se dá entre o final do inverno e a primavera.

A umidade do mar junto aos Sistemas de Brisas e às Ondas de Leste garantem importantes volumes de chuva na porção mais úmida do estado: o Litoral Leste. A massa Equatorial Atlântica garante a pluviosidade da região, especialmente durante o inverno. A precipitação anual desta mesorregião fica entre 800 e 1600 mm com ação mais intensa das chuvas entre abril e julho. A microrregião de Natal se destaca por registrar a maior média pluviométrica do estado nos últimos 30 anos. Ao todo, foram 1554,3 mm de chuva na região, muito acima da média do Rio Grande do Norte, que é 823,6 mm. O cenário climático observado no Litoral Leste se diferencia de algumas partes do Litoral Norte, que sofrem influência direta da porção árida do estado, prolongando a estiagem e reduzindo o período de chuvas entre o verão e o inverno.

Entre a costa e o interior do território potiguar predomina o clima subequatorial semiárido, marcado pelas chuvas que ocorrem conforme o deslocamento da ZCIT para norte ou para sul. Tal fenômeno é registrado em partes do Litoral Leste e nas áreas serranas do interior do estado, abrangendo uma área de cerca de 20% do território. Estas regiões apresentam um pequeno excedente de água pluviométrica, especialmente entre os meses de março e junho.

Mas o que predomina no Rio Grande do Norte são os climas árido e semiárido, caracterizados pelos baixos índices pluviométricos. Nesta região, a chuva fica, em média, entre 500 e 800 mm, nos momentos em que alcança tais índices. As porções de baixíssima pluviosidade no estado dominam 75% do território e se concentram no centro e no sul potiguar, atingindo, inclusive, uma parte do Litoral Norte. Nas regiões mais áridas ocorrem períodos prolongados de seca, a ponto de não chover por até oito meses.

Como grande parte do Rio Grande do Norte sofre com a aridez, o estado registrou quase 1300 casos de estiagem e seca entre 1991 e 2012. Apenas em 2014, 152 dos 167 municípios declararam situação de emergência por causa da seca prolongada. As únicas cidades que não observaram tais ocorrências estão situadas apenas no Leste Potiguar. Por outro lado, São Tomé e Santa Cruz, municípios próximos a Currais Novos e à divisa com o estado do Paraíba, foram os que apresentaram o maior número de registros de seca e estiagem (15 cada).

Referências bibliográficas:

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