Domínio morfoclimático do cerrado

Por Morôni Azevedo de Vasconcellos

Especialista em Geografia do Brasil (Faculdades Integradas de Jacarepaguá, RJ)
Mestre em Educação (Estácio de Sá, 2016)
Graduado em Geografia (Simonsen, 2010)

Categorias: Biomas, Geografia
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O domínio morfoclimático do cerrado está localizado no centro-oeste brasileiro, especialmente para a região mais central do país, em uma área com vastos planaltos e famosa por suas chapadas (planaltos com topo plano).

O seu clima dominante é o clima tropical continental, um clima quente e mais seco (ou menos úmido) do que o seu “irmão” tropical litorâneo. Este clima é caracterizado pela maior amplitude térmica (o quanto a tempo esquentar e esfriar) entre noite e dia e entre os dias mais frios e mais quentes.

Mapa da localização do Cerrado Brasileiro. Créditos: Ministério do Meio Ambiente.

Sua vegetação predominante é a savana (muitas vezes chamada apenas de cerrado no Brasil, embora ela não seja a única vegetação presente no cerrado e nem esteja apenas neste em solo brasileiro), com árvores menores caracterizadas pelos galhos e troncos retorcidos, com raízes mais profundas, sendo as árvores e os arbustos mais esparsos entre si, com o espaço preenchido por gramíneas.

Note-se que existem diversos tipos de savana, algumas formando uma mata mais densa, florestal, enquanto outras bem mais esparsas e similares a um campo. Assim como em partes do cerrado é possível encontrar essa variação de savanas e, também, até algumas outras vegetações minoritárias, é importante lembrar que quando se utiliza o termo vegetação de cerrado, está se falando de modo genérico sobre as savanas presentes neste domínio morfoclimático.

Paisagem de cerrado. Foto: Filipe Frazao / Shutterstock.com

Neste domínio está localizada a capital federal do Brasil (Brasília), bem como está uma das áreas de maior avanço da agropecuária, especialmente na criação de gado bovino e na plantação de soja. Este avanço tem preocupado ambientalistas e defensores da causa indígena pelo impacto ambiental causado pelo desmatamento do cerrado, mas também pela contínua pressão sobre as comunidades indígenas com constantes confrontos.

A agropecuária em questão é aquela de tipo monocultor, realizada em latifúndios de agricultura convencional e altamente mecanizada com uso de agrotóxicos e transgênicos. Apesar de ser tão famoso pela agropecuária (refletida inclusive na música sertaneja tão típica das localidades situadas neste domínio) e com participação enorme no PIB brasileiro, o solo do cerrado brasileiro não é dos melhores para a agropecuária.

Se um dos grandes atrativos para a prática agrícola é a grande extensão de terras disponíveis nesta que foi por muito tempo considerada a região de fronteira agrícola brasileira, o solo do cerrado, por sua vez possui uma acidez elevada, precisando ser corrigida por intervenção humana (com forte indicação para o uso de calcário) para o adequado aproveitamento nas plantações.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) é importante no processo de expansão agrícola no cerrado, considerando a dificuldade natural inerente ao clima e ao solo deste domínio morfoclimático, pois ela é a responsável pelo desenvolvimento e disseminação de certas técnicas e tecnologias agrícolas adequadas as especificações regionais.

Entre os frutos típicos do cerrado encontram-se: pequi, buriti (muito utilizado não só para alimentação, mas também para artesanato e até para a construção de instrumentos musicais como a famosa viola de buriti), araticum, mangaba, entre outros.

Leia também:

Referências:

http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/quem-sao?start=5

https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/2371/correcao-da-acidez-superficial-do-solo-no-cerrado-recomendacao-para-utilizacao-de-calcario

https://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_chm_rbbio/_arquivos/relatoriofinal_cerrado_2010_final_72_1.pdf

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