Segunda Diáspora Grega

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

A Segunda Diáspora Grega foi causada pela má distribuição das terras férteis na Hélade, espalhou os gregos que buscavam por melhores condições de sobrevivência pela península itálica e o Mar Negro.

No período Pré-Homérico da história da Grécia Antiga, alguns povos de origem indo-européia invadiram a Hélade e alteraram os padrões de vida e sociedade que haviam se estabelecido no local por longa data. As invasões aconteceram em três momentos, cada qual comandada por um grupo étnico diferente. Os primeiros a chegar na região da Grécia Antiga através de invasão foram os aqueus, estes invadiram a ilha de Creta fazendo uso de violência e fragmentaram a civilização minóica existente no local. Apesar da violência, a cultura do povo anterior foi associada à cultura dos aqueus, fazendo nascer a cultura micênica. Em seguida, ocorreu a invasão conjunta de jônios e eólios, povos que ocuparam a ilha de Creta sem fazer uso da violência, mas absorvendo a cultura do local e vivendo pacificamente. Por último, ocorreu a invasão dos dórios, cujo processo de ocupação foi o mais violento de todos.

A invasão dos dórios na Helade alterou radicalmente toda a estrutura existente no local, o avançado comércio foi dissolvido, os centros urbanos destruídos, os palácios aniquilados, a agricultura desorganizada, a cultura como um todo regrediu e o uso da escrita foi abandonado. Tamanho foi o impacto que esta fase é chamada de Idade das Trevas da Grécia. A ocupação violenta dos dórios fez com que os habitantes do local buscassem novos ambientes para sobreviver, saindo da Helade e ocupando terras na Ásia Menor e no Mar Egeu, movimento identificado como a Primeira Diáspora Grega.

A vida adquiriu então nova organização na Helade sob domínio dos dórios. A sociedade passou a se organizar em pequenas propriedades familiares de terra chamadas genos, de onde vem o nome sociedade gentílica. Os genos eram responsáveis pela produção de subsistência dos gregos, onde cada núcleo familiar produzia o que era necessário para sobreviver e o excedente gerado era repartido entre os outros genos. Dessa forma, garantia-se a circulação dos produtos básicos para oferecer condições de vida aos habitantes da Hélade.

Não era possível, contudo, que todos ocupassem terras de boa qualidade para produção agrícola. Mesmo sendo uma sociedade com fins igualitários, a proximidade das famílias ocupantes de um dos genos que possuíssem maior grau de parentesco com o chefe ocupava as terras mais férteis dos genos. Desse modo, formava-se um círculo político que reunia os mais influentes na sociedade por conta do parentesco com os chefes dos genos.

Enquanto o tempo passava, a população também aumentava. O solo de boa qualidade para plantação estava ocupado e as pessoas passavam a viver em condições inadequadas de vida. A necessidade fez então com que os indivíduos migrassem em busca de terras férteis que permitissem a sobrevivência da população marginalizada na Grécia Antiga. Essa emigração da Helade que é conhecida como Segunda Diáspora Grega.

A Segunda Diáspora Grega foi acompanhada de vários conflitos dos povos emigrantes pela tentativa de ocupação de novas terras. Os indivíduos que buscaram a sobrevivência em outros lugares ocuparam regiões da Península Itálica e do Mar Negro, a necessidade fez extrapolar os limites do Mar Egeu vigentes até o momento.

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