Escritores do naturalismo

Pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura (Mackenzie, 2016)
Licenciada em Letras Português-Inglês (FMU, 2012)

Publicado em 14/03/2019

O Naturalismo iniciou-se na segunda metade do século XIX e se estendeu até o início do século XX, na França. Teve como marco inicial a obra “Madame Bovary” (1857) de Gustave Flaubet. No Brasil, iniciou-se no fim do século XIX com a publicação do romance “O Mulato” (1881) de Aluísio de Azevedo. Já em Portugal, o Naturalismo tem início na década de 1875, com a obra “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queiros.

Além de se manifestar na literatura, também se manifestou no teatro e nas artes plásticas com uma visão contrária à do Romantismo.

A visão dos escritores dessa época era materialista, uma vez que a burguesia estava em ascensão. Também tinha uma visão objetiva, os temas eram tratados sem rodeios. Além disso, eles acreditavam que a Ciência era a solução para os problemas do homem.

Esse período é chamado de “Ciclo Antirromântico”, pois os artistas tratam os temas de forma mais clara, como realmente acontece. Eles queriam derrubar o que o Romantismo pregava, tratar os fatos de forma real e falar do que era incorreto, falar sobre a injustiça que as pessoas estavam sofrendo.

Em suas obras, os escritores naturalistas retratam os problemas da realidade social, política e econômica, com o objetivo de que tivesse uma transformação do que eles acreditavam que estava incorreto. Também era comum que os escritores brasileiros tratassem de temas relacionados com a abolição da escravatura.

A sociedade brasileira, influenciada pelos fatos, também dava sinais de liberdade, em que o povo agora tem voz e faz se entender. É considerado um novo momento, em que as pessoas procuram ser libertas do passado.

Principais temas abordados no Naturalismo:

  • Miséria das cidades;
  • Crise da produção no campo;
  • Péssimas condições de vida;
  • Crítica ao tradicionalismo da sociedade;
  • Crítica ao conservadorismo da Igreja;
  • Violência;
  • Crimes;
  • Sexualidade;
  • Adultério;
  • Política.

Principais escritores do Naturalismo

Estrangeiros

  • Gustave Flaubet (1821-1880): foi um escritor francês e prosador, que marcou o início da literatura francesa com a obra “Madame Bovary”. Obra que retrata assuntos cotidianos, como o amor. Esse tema é tratado de uma forma totalmente diferente do Romantismo. O autor fala ainda sobre o adultério e suas possíveis consequências a quem o cometesse. Esses assuntos são escritos de forma direta e objetiva. Também escreveu “A Educação Sentimental”, “Salambô” e contos, tal como “Trois Sontes”.
  • Émile Zola (1840-1902): foi um escritor francês, criador e representante principal da literatura naturalista. Suas principais obras: “Germinal” (1885), “Como se casa, Como se morre”, “O Paraíso das Damas”, “J'accuse a Verdade em Marcha”, “A Besta Humana”.
  • Thomas Hardy (1840-1928): foi um novelista e poeta inglês, conhecido por obras de grande importância que traziam um pessimismo radical em seus romances. Suas principais obras: “A Bem-Amada”, “Judas”, “O Obscuro”.
  • Giovani Verga (1840-1922): foi um escritor italiano, considerado o maior exponente da corrente literária do verismo. Sua principal obra: “Los Malavoglia”.
  • Eça de Queirós (1845-1900): foi um escritor e diplomata, considerado o precursor do Realismo português. Escreveu “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio” e “Os Maias”. As suas obras retratavam a sociedade portuguesa do século XIX: cidade provinciana, influência do clero, pequena e média burguesia de Lisboa, intelectuais, aristocracia e alta burguesia.

Brasileiros

  • Aluísio de Azevedo (1857 – 1913): O autor é considerado o precursor do Naturalismo no Brasil. Sua obra “O Mulato” foi considerada o marco inicial da época, que traz como tema central o preconceito racial. Também escreveu “O Cortiço”, que trata sobre a realidade brasileira do século XIX: as relações e o comportamento dos personagens.
  • Adolfo Ferreira Caminha (1867-1897): O autor é considerado um dos maiores representantes da literatura naturalista brasileira. Sua obra que merece destaque é “A Normalista”, de cunho regionalista. Também escreveu “Bom Criolo” que foi considerado um romance ousado, uma vez que trata sobre a homossexualidade. As suas obras tratam sobre temas de violência, perversão, crimes e tragédias, além da homossexualidade citada acima.
  • Herculano Marcos Inglês de Sousa (1853-1918): Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Publicou “O Coronel Sangrado”, mas em 1891 foi reconhecido pela obra “O Missionário”, que trata sobre a influência do meio sobre o indivíduo.
  • Raul Pompéia (1863-1895): foi um escritor carioca. Sua principal obra é “O Ateneu”, que traz como personagem principal um menino que é enviado a um colégio agropecuário. A obra critica a sociedade brasileira do final do século XX, retratando que um lugar onde quem vence sempre é o mais forte.
  • Adherbal de Carvalho (1869-1915): foi um romancista, crítico literário, jurista, ensaísta, tradutor, poeta e professor. Sua principal obra é “A Noiva”, um livro em forma de folhetim que não teve muita repercussão.

Fontes:

Módulo do ensino integrado: língua portuguesa. São Paulo: DCL, 2002. p. 131-134.

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