Verbos de ligação

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

Verbos de ligação são aqueles que se opõem aos verbos significativos, aquele tipo de verbo que remete a um significado, que porta em si um conceito. Os verbos de ligação, ao contrário, são semanticamente esvaziados, o que significa dizer que não remetem a um conceito nem são significativos; existem somente para cumprir com uma exigência sintática, a de ligar dois elementos numa oração: o sujeito e seu predicativo.

Sintaticamente, o verbo de ligação também possui características particulares. Fundamentalmente a diferença está no fato de que em predicados verbais (aqueles cujo núcleo é um verbo significativo) o verbo significativo é o predicador, é quem prevê outras posições sintáticas (se necessita ou não de sujeito, de complemento seja direto ou indireto); já em predicados nominais (aquelas orações com verbo de ligação que não é núcleo do predicado), um nome é o predicador, é quem prevê outra posição sintática (de sujeito). Esse tipo de verbo nunca é núcleo do predicado da oração em que está inserido.

Verbos significativos em geral são o núcleo do predicado, o que significa dizer que em predicados verbais, o verbo significativo é quem predica, é quem seleciona outros elementos, se necessário, como complemento, como em “Governo anuncia novo corte de gastos”, em que “Governo” é o nome substantivo núcleo do sujeito e “anuncia” é o verbo significativo núcleo do predicado verbal “anuncia novo corte de gastos”, sendo “corte de gastos” complemento objeto direto selecionado pelo verbo para complementar seu significado. Ou “A flor morreu”, em que “flor” é o nome núcleo do sujeito e “morreu” é o verbo significativo intransitivo núcleo do predicado verbal que não necessita selecionar nenhum complemento.

Essas seleções de outros elementos em frases com verbo de ligação se dão de modo diverso. O núcleo da frase com verbo de ligação não é o verbo, é um nome; o nome é quem predica, é quem seleciona, é quem prevê uma outra posição sintática na frase, em geral um nome adjetivo. Como em “As rosas são vermelhas”, em que o nome adjetivovermelhas” seleciona um nome para lhe atribuir a característica que porta em seu significado (cor vermelha), é o nome adjetivo – e não o verbo – quem tem função de predicar nessa oração, é o elemento que prevê uma posição de um sujeito, por isso, o nome adjetivo aqui é chamado de predicativo do sujeito. E “rosas” figura como nome núcleo do sujeito e o verbo “são” tem a função sintática de apenas unir, ligar, os dois elementos na oração.

É possível ainda que o verbo de ligação não esteja expresso, mas subentendido (Paulo sorriu despreocupado Paulo sorriu (e estava) despreocupado) e há casos ainda em que a oração que contém o predicativo esteja encaixada dentro de uma outra oração maior, como em “O governo considerou o protesto desnecessário”, em que o predicativo, o verbo significativo “considerou” é núcleo do predicado verbal “considerou o protesto desnecessário”; e este predicado contém dentro de si uma oração encaixada com predicativo. “Desnecessário” prevê uma posição de um elemento que assuma essa característica, aqui ocupada pelo elemento “o protesto”, que tem função de objeto direto em relação ao verbo “considerou”, por isso o elemento “desnecessário”, em frases desse tipo, é chamado de predicativo do objeto.

Bibliografia:

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro : Nova Fronteira,. 2009.

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