Ictiologia

Mestre em Ciências Biológicas (UFF, 2016)
Graduada em Biologia (UNIRIO, 2014)

Mais da metade do número total de espécies de vertebrados vivos corresponde aos peixes. Atualmente, mais de 27 mil espécies são reconhecidas, e o número de espécies novas descritas anualmente excede o número de tetrápodes (anfíbios, aves, répteis e mamíferos). A importância destes animais para o meio ambiente e a população humana é tão grande que originou um ramo científico de estudo: a Ictiologia. Esta ciência estuda as espécies de peixes e sua relação com o ambiente, seus padrões de crescimento e distribuição, hábitos de vida, história evolutiva, entre outros aspectos.

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Breve histórico

Estima-se que a Ictiologia tenha sua origem no período Paleolítico, há 4 mil anos, quando chineses e egípcios implementaram sistemas de cultivo de carpas e tilápia, respectivamente. Esta ciência transformou-se em um campo formal de estudo por volta de 320 a.C., quando Aristóteles e outros naturalistas publicaram a primeira classificação sistemática de peixes, na qual a anatomia, hábitos e reprodução de 117 espécies do Mediterrâneo foram descritas. A partir do século 14, com o início da Renascença, a Ictiologia entrou em expansão devido ao estabelecimento de rotas marítimas para exploração e colonização de novas terras. Durante este período vários manuscritos foram publicados detalhando as espécies de peixes encontradas ao redor do globo, incluindo o livro Naturalis Brasilae, escrito por George Marcgrave em 1648, que descrevia mais de 100 espécies nativas da costa brasileira.

No século 18, Peter Artedi aprimorou a classificação taxonômica existente, dividindo os peixes em cinco ordens diferentes: Malacopterygii, Acanthopterygii, Branchiostegi, Chondropterygii e Plagiuri, tornando-se conhecido como o “Pai da Ictiologia”. Entretanto, a Ictiologia Moderna tem seu marco inicial apenas no século 19, com a publicação de uma série de 22 livros denominada Histoire Naturelle des Poissons, escrito por Marcus Elieser Bloch e Georges Cuvier. Este manuscrito continha mais de 4 mil espécies de peixe, das quais 2.311 eram novas descrições. A partir do século 20, com o progresso no campo Oceanográfico e o surgimento de novas tecnologias, novas técnicas de pesquisa foram desenvolvidas na Ictiologia, permitindo a observação dos peixes diretamente no meio aquático, seja em ambiente natural ou controlado (i.e. tanques em laboratório). Isto, por sua vez, possibilitou a investigação de padrões comportamentais, toxicológicos e parasitológicos destes animais.

Áreas de estudo

A Ictiologia é composta por várias subáreas de estudo, dentre as quais pode-se citar a Ecologia, Fisiologia, Etologia, Embriologia, Genética e a Paleoictiologia, e relaciona-se também com outras ciências do meio aquático como a Limnologia, Oceanografia e Biologia Marinha. Esta ciência se concentra nos diferentes grupos de peixes, incluindo os peixes ósseos da Classe Osteichthyes, a mais diversa entre as classes, englobando 26 mil espécies de peixes. Os peixes cartilaginosos da Classe Chondrichthyes, que compreende 800 espécies e é representada pelos tubarões e raias, também são objeto de estudo da Ictiologia, assim como os peixes sem mandíbula da Superclasse Agnatha, representada pela lampreia e feiticeira. Esta superclasse gera controvérsia em relação à sua classificação como um grupo de peixes, visto que suas espécies não apresentam vértebras; apesar disto, permanecem como foco de estudo da Ictiologia.

Cenário atual

A Ictiologia encontra-se como um campo em expansão, tanto pela demanda da indústria pesqueira (que produz aproximadamente 20% de toda a proteína animal consumida no mundo), quanto pelos possíveis impactos que a mudanças climáticas globais devem exercer sobre estes animais e o ecossistema aquático. A sobreexploração do recurso pesqueiro constitui uma das principais ameaças a várias espécies de peixes, impulsionando o desenvolvimento de técnicas sustentáveis de pesca e a intensificação de sistemas de cultivo (aquicultura). Com isto, cria-se a necessidade de entender os aspectos biológicos e ecológicos dos peixes, dando à Ictiologia cada vez mais destaque. O uso de isótopos para análises de dieta e nutrição é um exemplo dos avanços relacionados à este campo, assim como o uso de sonares e veículos submarinos operados remotamente (em inglês ROVs), que permitem a investigação de padrões de distribuição das espécies.

Referências:

Biologia Marinha. Pereira, R. C., & Soares-Gomes, A. (2002). Rio de Janeiro: Interciência, 2, 608.

Encyclopedia: http://encyclopedia2.thefreedictionary.com/ichthyology

Encyclopaedia Britannica: https://www.britannica.com/science/ichthyology

New World Encycopledia: http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Ichthyology

The Free Dictionary: http://encyclopedia2.thefreedictionary.com/ichthyology

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