Lula

Por Thais Pacievitch
As lulas são moluscos, da classe dos cefalópodes, que vivem no mar e respiram por meio de brânquias. Cefalópodes é uma palavra de origem grega, sendo que kephalé = cabeça e podos = pés. O corpo das lulas é dividido em cabeça, massa visceral e tentáculos. Diferente de seus parentes próximos, os mariscos (bivalves) e as lesmas (gastrópodes), as lulas não possuem uma casca dura externa, e sim, uma casca interna, sendo que a parte externa de seu corpo é muito macia.

Lula da espécie Berryteuthis magister. Foto: US NOAA (U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration) / Public Domain / via Wikimedia Commons

Lula da espécie Berryteuthis magister. Foto: US NOAA (U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration) / Public Domain / via Wikimedia Commons

A classe dos Cefalópodes é dividida em octópodes (oito tentáculos), ou decápode (dez tentáculos). A lula é decápode, pois possui dez tentáculos. Sua massa visceral é alongada, e seu corpo é envolto pelo manto, que é uma cavidade muscular que se encontra atrás da cabeça das lulas. É através da cavidade desse manto que a água circula, passando pelas guelras, tornando possível a respiração do molusco.

Na parte posterior de sua massa visceral, a lula possui duas nadadeiras de formato triangular. Existem aproximadamente trezentas espécies diferentes de lula, espalhadas por todo o mundo, sejam em águas rasas, ou em águas profundas.

A água que circula pela cavidade respiratória da lula, assim como a tinta, ou sépia, que protege as lulas é expelida por um tubo chamado de funil, localizada abaixo da cabeça das lulas. É o jato de água gerado pela contração do manto e expelido pelo funil que faz com que a lula seja projetada, nadando para trás, por propulsão a jato. Entre os cefalópodes, as lulas são as mais rápidas e ágeis nadadoras.

Apesar de sua rapidez, agilidade e de um sistema de camuflagem utilizado para defesa, as lulas são presas vulneráveis, devido ao seu corpo macio. As lulas são capazes de mudar de cor e até de textura graças às células de pigmentação presentes nos seus tentáculos, chamados de cromatóforos.
As lulas são grandes caçadoras, tendo em seu cardápio pequenos peixes, camarões, caranguejos e outras lulas. Para caçar, utiliza seus tentáculos, e com eles, conduz a presa ainda viva até suas mandíbulas com formato de bico, com as quais rasga e corta a presa.

A reprodução das lulas é sexuada, ou seja, o macho transfere o esperma para o corpo da fêmea (pelo funil ou pela boca). Os ovos fertilizados formam uma massa gelatinosa que a fêmea expele e esconde em buracos ou em baixo de pedras. Os filhotes nascem entre quatro e oito semanas e são miniaturas dos pais. Alimentam-se de plâncton até alcançarem a vida adulta.

Dentre as 300 espécies de lulas, as subordens myopsida e oegopsida são as principais.

As espécies da subordem myopsida têm os tentáculos diferentes. Ao invés de ganchos, seus tentáculos têm ventosas, e seus olhos são cobertos por uma transparente membrana. Vivem em águas rasas. As principais espécies de lulas dessa subordem são:

  • Lula da Califórnia (Loligo opalescens) – vive principalmente na Baía de Monterey, Califórnia.
  • Lula de recifes do Caribe (Sepioteuthis sepioidea) - vive no Mar do Caribe.
  • Lula comum (Loligo vulgaris) – vive no leste do Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo.

Já as espécies da subordem oegopsida vivem no oceano e no mar profundo. Essas espécies possuem tentáculos com os ganchos e/ou com as ventosas. Seus olhos não possuem córnea. As principais espécies de lulas dessa subordem são:

  • Lula luminescente de mar profundo (Taningia danae) – vive distante das costas das Bermudas, Austrália, Nova Zelândia, Havaí, Japão e no Atlântico Norte. Vive abaixo de 900 metros de profundidade e produz luz, chamada de bioluminescência.
  • Lula de Humboldt (Dosidicus gigas) - vive ao leste do Pacífico.
  • Lula de barbatana curta (Illex illecebrosus) - vive no Oceano Atlântico.

O tempo de vida da lula é curto - seu ciclo de vida todo é de apenas um ano. Após o acasalamento, geralmente as lulas morrem.

Mas a espécie mais misteriosa é, sem dúvida, a lula gigante (Architeuthis). Essa espécie é o maior invertebrado do mundo, e suas aparições causavam pânico em tempos mais remotos, no oceano Atlântico, onde vivem. Não à toa, pois as lulas gigantes podem atingir 500 kg, distribuídos em 18 m de comprimento. Seus tentáculos ultrapassam os 10 metros de comprimento, com ventosas de aproximadamente 5 cm de diâmetro. Os olhos têm tamanho comparável a bolas de futebol.