Oceanografia

Por José Henrique Garcia
A oceanografia é a ciência que estuda os oceanos, rios, lagos e estuários. O profissional oceanógrafo é responsável por estudar os organismos vivos, animais e vegetais conjuntamente com o ambiente e seus processos. Pode estudar padrões físicos, químicos, biológicos e geológicos dos ambientes marinhos e aquáticos em geral. Possui capacitação de analisar amostras ambientais de ambientes fluviais, lagunares e estuários, podendo posteriormente desenvolver projetos relacionados com a qualidade dos ambientes costeiros, garantindo um monitoramento e gerenciamento de obras costeiras e instalações visando uma preservação ambiental.

Durante muitos anos a profissão de oceanógrafo no Brasil não era reconhecida pelo governo brasileiro, porém a profissão de Oceanógrafo foi regulamentada pela Lei Nº 11.760, de 31 de Julho de 2008.

São diversas as áreas de atuação: Oceanografia Física (Correntes, marés e fenômenos climáticos), Química (Composição das águas e recuperação de ambientes aquáticos degradados ou em processo de degradação), Biológica (Biodiversidade e ecossistemas marinhos) e Geológica (Composição do solo marinho e fenômenos geofísicos).

Origem da Oceanografia

A origem da oceanografia remonta às primeiras viagens de navegação realizada nos oceanos. Registros demonstram que as primeiras viagens nos oceanos ocorreram por volta de 7230 a.C, devido ao comércio entre a Grécia e a Ilha de Melos. Com o passar dos anos os antigos egípcios desenvolveram uma certa tecnologia naval e as capacidades de navegação nos oceanos aumentaram. Sua viagens eram limitadas ao Mar Mediterrâneo, porém dizem, que os egípcios teriam cruzado o oceano Atlântico e ajudado no povoamento das Américas.

Mais ou menos por volta de 1500 a.C os fenícios, um povo que viveu atualmente no que seria a Síria e o Líbano começaram a navegar por uma questão de exploração e comércio. Exploraram todo o Mar Mediterrâneo, tendo chegado a Espanha, onde ali fizeram extração de prata. Alguns estudiosos acreditam que os fenícios tenham descoberto os Açores, ilha portuguesa a 600 milhas a oeste de Portugal.

Devido a importância de se conhecer o ambiente marinho, por onde se realizava as rotas de comércio e exploração, novas tecnologias oceanográficas para a época foram surgindo para auxiliar nas navegações. No ano de 150, o geógrafo egípcio Ptolomeu dividiu o globo em 360 graus de latitude e longitude, e até os dias atuais, estas são as coordenadas usadas para rotas e navegações.

Entre 673-735 um monge inglês Bede, foi o primeiro a descrever a influência que a lua exerce sobre as marés. No ano de 1675 é criado o Observatório Real em Greenwich, Inglaterra, onde se estabelece a linha de longitude (O meridiado de Greenwich).

Em 1725 foi publicado pelo autor Luigi Marsigli o primeiro tratado moderno sobre oceanografia (Histoire Physique de la Mer).

O primeiro cruzeiro oceanográfico pode ser considerado aquele que foi realizado entre os anos de 1839 e 1843 a bordo do bergantim Beagle, no qual estava o naturalista Charles Darwin, que fez diversas observações que serviriam de base a sua teoria da evolução.

No ano de 1902 V. Walfrid Ekman desenvolve uma explicação matemática (espiral de ekman), que faz a ligação entre a direção do vento e as correntes oceânicas e que atualmente é de extrema importância para eventos biológicos. No ano de 1912 o cientista alemão Alfred Wegener propõe sua teoria da deriva dos continentes, explicando a movimentação dos continentes, que antigamente eram unidos e devido a deriva dos continentes se separaram formando os diversos continentes como conhecemos hoje.

Jacques-Yves Cousteau com o primeiro escafandro autônomo.

No ano de 1920 Alexander Behm capta o eco das ondas de som a partir do fundo do Mar do Norte, o que permitiu o desenvolvimento das ecosondas.

William Beebe e Otis Barton e a batisfera na qual atingiram os 906 de profundidade.

No ano de 1934 os zoólogos William Beebe e Otis Barton descem pela primeira vez a 923 metros de profundidade em uma batisfera suspensa por cabos, sendo desta maneira os primeiros a observar vida marinha aonde não existe luz e a grandes profundidades.

Em 1943 Jacques-Yves Cousteau e Emile Gagna, desenvolvem um escafandro autônomo, ou scuba.

Em 1952, se aproveitando da ecosondagem, o navio britânico Challenger II descobre uma grande fenda nos oceanos, cerca de 11 quilômetros de profundidade abaixo da superfície - era a Fossa das Marianas.

Com o passar dos anos e novas tecnologias foram se descobrindo e muitas coisas vieram a ser descobertas, como as fontes hidrotermais em zonas profundas dos oceanos, no qual acredita-se que ali poderia ter existido a fonte de toda a vida nos oceanos. Tecnologias como submersíveis foram importantes para pesquisas em regiões profundas e para o se conhecer a biologia e ecologia de espécies de regiões profundas na qual são muito importantes ecologicamente, pois regeneram nutrientes.

Como se tornar um oceanógrafo?

Entre no site da AOCEANO (Associação Brasileira de Oceanografia) e tire suas dúvidas sobre locais onde existem universidades de ensino em oceanografia no Brasil. (http://www.aoceano.org.br).

Veja também:

Referência
Soares, M. ( 1999) O oceano nosso futuro. Relatório da comissão mundial Independente sobre os Oceanos. Cambridge University press. pp.248

http://www.biografiasyvidas.com/biografia/b/beebe.htm
http://rolexblog.blogspot.com/2008/11/swiss-rolex-explorer-jacques-piccard.html