Sintagma

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Por Denyse Lage Fonseca

O termo “sintagma” designa uma sequência hierarquizada de elementos linguísticos, que compõem uma unidade na sentença. Vale destacar que, em função do tipo de unidade que os constitui, os sintagmas denominam-se:

Sintagma Nominal

Aquela competente professora explica pacientemente variados conceitos.

É importante elucidar que a sentença acima se compõe de duas unidades maiores, a saber:

  • Sujeito: Aquela competente professora
  • Predicado: explica pacientemente variados conceitos.

O sujeito apresenta três palavras:

  • “aquela” - pronome demonstrativo que o determina [chamado de DET];
  • “competente” – adjetivo que o qualifica [chamado de “qualificador” (QUA) ou de Modificador (MOD)];
  • “professora” - o seu núcleo (palavra principal), representada pelo nome (N) [substantivo].

Vale enfatizar que toda unidade, cujo núcleo é um nome (um substantivo), é intitulada “Sintagma Nominal”. Nesse contexto, há dois sintagmas nominais na sentença analisada:

  • SN¹: Aquela competente professora
  • SN²: variados conceitos. (presente no predicado - núcleo “conceitos”).

Sintagma Verbal

(toma-se como exemplo a sentença anterior)

O Sintagma Verbal (SV) compõe o predicado:

“explica pacientemente variados conceitos.”

O núcleo do predicado é o verbo (V) significativo “explica”, cuja ideia é modificada (MOD) pelo advérbio de modo “pacientemente”. Cabe frisar que o sintagma verbal pode ter o significado complementado por sintagma nominal: “variados conceitos”.

Uma visualização mais precisa dos constituintes de uma sentença, por ser feita pela construção de uma árvore sintática, cujos “galhos” indicam a hierarquia instaurada entre os referidos constituintes:

arvore sintatica

É pertinente endossar que a estrutura da árvore precisa ser binária, isto é, apresentar dois “galhos” que devem se repetir até o nível mais baixo, no qual se encontra cada palavra. O topo é representado pela sentença (S), que inicialmente é dividida em SN e SV. É cabível explicar que determinados estudiosos concebem os adjetivos, constituintes dos sintagmas nominais, como qualificadores (QUA), ao passo que outros, os definem, juntamente com os advérbios, como modificadores (MOD) dos sintagmas nominais e verbais respectivamente. Cabe esclarecer que, para uma abordagem mais clara do tema, o presente artigo adotou “QUA” para se referir aos adjetivos (cuja função é qualificar) e “MOD” para se remeter ao advérbio, que tem a finalidade de modificar o sentido de um verbo, ao indicar a circunstância em que ocorreu a ação.

Há também o chamado “sintagma preposicionado” (SP), cuja introdução é feita por uma preposição. Observe:

Luzia escreveu um livro de receitas.

Examine que quatro sintagmas integram a sentença acima:

  • SN¹ - “Luzia”
  • SV - “escreveu”
  • SN ² - divide-se em dois sintagmas: o primeiro (“um livro”) e o segundo (“de receitas”).

Note que “de receitas” é um sintagma preposicionado, visto que é precedido da preposição “de”.

Vale elucidar que os “determinantes” (DET), como o próprio nome sugere, determinam o nome (especificando-o ou não), por meio de pronomes (conforme explicação anterior), mas também, por intermédio de numerais ou artigos:

Nós não vamos dar uma festa de fim de ano, nós vamos dar a festa.

Note o quanto determinação do nome precisa ser feita com cuidado, uma vez que pode gerar diferenciados efeitos de sentido, dependendo do tipo de artigo escolhido. Perceba que se fosse dito “vamos dar uma festa”, o artigo indefinido em destaque sugeriria que se trataria de uma festa como outra qualquer. No entanto, quando se corrige, afirmando “nós vamos dar a festa”, o artigo definido revela que se trata de uma festa especial, inigualável. Em suma, a construção dos sintagmas, que integrarão as sentenças, deve ser feita com adequação, de modo que os objetivos comunicativos sejam alcançados.

Referências:
CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Sintagma Nominal e Verbal. In: ___ Nova gramática do português contemporâneo. 5.ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008, p. 137-138.

OTHERO, Gabriel de Ávila; MENUZZI, Sérgio de Moura. Linguística computacional – teoria & prática. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.

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