Choque circulatório

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

Publicado em 22/04/2019

Em algumas condições, o fluxo sanguíneo não consegue suprir a demanda necessária de órgãos e tecidos. Quando isso ocorre, a pessoa pode entrar em um estado de choque que leva a inconsciência, enfarto cardíaco e potencialmente morte. Os sintomas iniciais de um choque são fraqueza, batimentos cardíacos acelerados, sudorese, ansiedade, respiração rápida e sede.

O choque circulatório pode ocorrer por uma série de razões. Em alguns casos, a perda de sangue por hemorragias ou ferimentos e até mesmo pancreatite podem ocasionar uma queda no volume de sangue circulante no corpo. Contudo, os choques podem ter origem cardíaca, devido a problemas no miocárdio ou ocorrendo antes de um ataque cardíaco. A obstrução de vasos sanguíneos próximos ao coração ou a embolia pulmonar são outra causa de choque. Por fim, os choques distributivos ocorrem pela carência de oxigênio em algum tecido do corpo, acontecendo em alguns casos de overdose (choque anafilático), quando há fraturas que bloqueiam o fluxo de sangue (como em lesões na coluna) ou quando há vasodilatação sistêmica devido a infecções generalizadas (choques sépticos), o que reduz a pressão arterial (PA).

A fim de identificar e corretamente tratar o choque circulatório, médicos realizam exames físicos e laboratoriais em pacientes com sintomas ou em risco, que apresentem batimento cardíaco elevado ou baixa PA. Existe um parâmetro chamado índice de choque, calculado através da divisão da frequência cardíaca pela pressão sistólica. Um paciente saudável, por exemplo, apresentaria um índice de choque próximo a 0,6 (70 batimentos/120 mmHg de pressão sistólica). Quando este índice atinge valores iguais ou maiores que 0,8 há indícios de problemas circulatórios que podem levar a um quadro de choque.

Os choques circulatórios causados por redução de volume sanguíneo (hipovolemia) são os mais comuns de todos e têm graus de gravidade distintos, dependendo da quantidade de sangue perdido. O tratamento geralmente é realizado através da administração de fluídos intravenosos (somente plasma ou bolsas de sangue completo). Os choques cardiogênicos mais graves envolvem cirurgia cardíaca, com transfusão sanguínea e intubação das vias respiratórias. O choque circulatório por obstrução também requer internação hospitalar, com administração de drogas trombolíticas (em casos de embolia ou tromboses) e anticoagulantes. Finalmente o choque distributivo é tratado de acordo com a origem dos sintomas. O choque séptico é tratado com fluídos intravenosos, antibióticos para combater a infecção e agentes vasopressores para aumento da PA. O choque anafilático normalmente leva o paciente a perda de consciência. Por isso, seu tratamento pode requerer ressuscitação, intubação, transfusão de plasma e uso de injeções de epinefrina (adrenalina), para estímulo intenso da musculatura cardíaca. Após a ocorrência de qualquer tipo de choque é necessário um período de observação mínimo de 24 horas após o tratamento indicado.

Para evitar fatalidades, pacientes com suspeita de choques circulatórios devem buscar ajuda médica imediata. Apesar de ser um quadro complexo, as chances de sobrevivência são altas quando o tratamento é rápido. Um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e atividades físicas regulares, está relacionado a uma redução dos riscos de choque, bem como evitar a ingestão de álcool, não fumar e não utilizar drogas ou medicamentos não prescritos.

Referências:

Pumphrey, R. S. (2003). Fatal posture in anaphylactic shock. Journal of Allergy and Clinical Immunology112(2), 451-452.

Siqueira, B. G., & Schmidt, A. (2003). Choque circulatório: definição, classificação, diagnóstico e tratamento. Medicina (Ribeirão Preto. Online)36(2/4), 145-150.

Vincent, J. L., & De Backer, D. (2013). Circulatory shock. New England Journal of Medicine369(18), 1726-1734.

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