Déficit hídrico

Mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (UFAC, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (UFAC, 2011)

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O déficit hídrico consiste na baixa disponibilidade de água para as plantas, afetando a bioquímica, a morfologia e os processos de desenvolvimento das plantas. Esse déficit pode ser provocado por uma deficiência no suprimento de água no sistema radicular das plantas e por uma excessiva transpiração das plantas e evaporação do solo. É um dos fatores ambientais que mais afeta a produtividade. Quando muito severo, o déficit hídrico pode levar a morte do vegetal.

Quando submetidas ao estresse hídrico as plantas respondem de maneira complexa, incluindo mudanças adaptativas e efeitos deletérios. Ao longo do tempo, as plantas foram submetidas a diversas condições desfavoráveis ao seu desenvolvimento e sobrevivência, como a seca, e para sobreviver aos períodos de déficit hídrico elas desenvolveram mecanismos de resistência, que consistem em três tipos: mecanismos de “evite à seca”, “escape à seca” e “tolerância à seca”.

Um dos mecanismos de escape é completar rapidamente seu ciclo de vida antes que a umidade presente em seus tecidos diminua a um nível que possa causar danos. Geralmente essas plantas se encontram em regiões semiáridas, e possuem a capacidade de germinar, florescer e produzir sementes rapidamente, aproveitando o curto período de chuvas. As plantas herbáceas da Caatinga, como o capim e plantas rasteiras, são exemplos de plantas que adotam essa estratégia.

No escape as plantas também podem encurtar ou prolongar seu ciclo em função da quantidade de água disponível. Quando a quantidade de água não é suficiente, algumas espécies reduzem seu crescimento vegetativo e passam a produzir uma menor quantidade de flores e sementes. Quando a disponibilidade de água aumenta, essas plantas apresentam um crescimento vegetativo vigoroso com várias sementes e flores.

Os mecanismos de “evite à seca” envolvem o aprofundamento das raízes para uma melhor absorção de água, o aumento da capacidade de condução da água, diminuição do tamanho das células da parte aérea, densa venação foliar (distribuição das nervuras da folha, que servem para distribuir água e nutrientes para a planta), fechamento estomático, maior espessura da parede celular e maior presença de cera.

A tolerância à seca depende da habilidade de cada espécie em conseguir manter o equilíbrio de suas funções fisiológicas durante um déficit hídrico interno elevado. Essa adaptação envolve, por exemplo, a acumulação de açúcares, ácidos orgânicos e íons no citosol para diminuir o potencial osmótico e manter o potencial hídrico.

Para evitar o déficit hídrico na agricultura, deve-se realizar o balanço hídrico, que permite identificar em quais épocas do ano terão menor ou maior disponibilidade de água. A partir dessa avaliação, é possível ajustar os manejos da irrigação de acordo com as necessidades das culturas, priorizando o uso racional da água.

As plantas frutíferas, que apresentam grande importância econômica no Brasil, são fortemente dependentes da água durante todo o seu desenvolvimento, como por exemplo, para o processo de abertura das flores e formação das estruturas reprodutivas, possibilitando a polinização. A falta de água pode levar ao abortamento de flores e frutos nessas plantas e os frutos de plantas submetidas ao déficit hídrico são menores. Nesse caso, quando a precipitação pluviométrica não é suficiente para suprir as necessidades das plantas, é necessária a utilização das mais diversas técnicas de irrigação.

A produção agrícola brasileira tem sido impactada pelo déficit hídrico nos últimos anos, principalmente as culturas de sequeiro, café, milho, feijão e cana-de-açúcar, levando a grandes perdas para os produtores. Com a redução do déficit hídrico, que foi potencializado pelas altas temperaturas, seria possível aumentar expressivamente a produtividade dessas culturas no país. Além do correto manejo da irrigação, o adequado manejo do solo com a aplicação de uma boa cobertura, também contribui para mitigar os efeitos do déficit hídrico.

Referências Bibliográficas:

Bianchi, L. Germino, G. H, SILVA, M. A. 2016. Adaptação das plantas ao déficit hídrico. Acta Iguazu, Cascavel, 5 (4), p. 24.

Índio do Brasil, Cristina. Estudo mostra déficit de água em lavouras brasileiras de até 50%. Agência Brasil, 2020. Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-04/estudo-mostra-deficit-de-agua-em-lavouras-brasileiras-de-ate-50. Acesso em 02 abr 2022.

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