Mar de Aral

O Mar de Aral é um corpo de água situado a aproximadamente 600 km do Mar Cáspio. Em seu interior havia mais de 1.100 ilhas, separadas por lagoas e estreitos apertados, que deram ao mar seu nome. Na língua cazaque, Aral significa 'ilha'. No presente, a Kok Aral, a maior de todas as ilhas (que é agora uma península) dispersas pelo Mar de Aral, separa a parte nordeste, chamada Pequeno Aral, da parte sudoeste, chamada Grande Aral. Esta forma a fronteira natural entre Cazaquistão e Uzbequistão, que partilham entre si o lago. As duas partes ligam-se através estreito de Berg. O Mar de Aral era, até 1960, o quarto maior lago do mundo, cobrindo uma área de 66 mil quilômetros quadrados, com um volume estimado de mais de 1.000 km cúbicos.

Região do Mar de Aral que virou deserto. Foto: Daniel Prudek / Shutterstock.com

Região do Mar de Aral que virou deserto. Foto: Daniel Prudek / Shutterstock.com

O Aral e toda a bacia do lago ganhou notoriedade mundial como uma das maiores degradações ambientais do Século XX causadas pelo homem. É referida como a “Chernobil Calada”, uma catástrofe silenciosa que evoluiu lentamente, quase imperceptivelmente, ao longo das últimas décadas.

É certo que esta morte trágica do Mar de Aral começou em 1960, ano em que os projetistas de Moscou inauguraram o Projeto do Mar de Aral, um ambicioso programa econômico que visava a conversão de terrenos baldios no cinturão do algodão da União Soviética. Os projetistas atribuíram à Ásia central o papel de fornecedor de matérias-primas, conduzindo a uma redução substancial de semeaduras de colheitas tradicionais como a alfafa e plantas que se cultivavam para fornecer óleo vegetal. Pomares e árvores de amoras foram arrancados para permitir plantar mais algodão. O desejo de expandir a produção de algodão para as terras desertas aumentou a dependência da Ásia central da irrigação, especialmente do Uzbequistão.

O Mar de Aral e os seus afluentes pareciam ser uma fonte inesgotável de água. Foram abertos canais de grande extensão para espalhar as águas por todo o solo desértico. A área irrigada aumentou a sua superfície em menos de uma década para 6,9 milhões de hectares; metade dessas terras produziam algodão e a outra metade arroz, trigo, milho, frutas, legumes e forragens para o gado. A agricultura de regadio constituiu um sucesso brilhante. As quotas de produção do algodão e de outros produtos eram realizadas ou excedidas ano após ano. A bacia do Mar de Aral tornou-se o principal fornecedor do país de produtos frescos.

As complicações surgiram porque a contração do Aral e as consequências da irrigação tinham sido tratadas como questões sem importância pelas autoridades até 1970. Não foi o projeto em si, mas antes os métodos agrícolas mal concebidos e mal geridos que destruíram a economia, saúde e ecologia da bacia do Mar de Aral, afetando milhões de pessoas. Numerosos canais e barragens foram construídos precipitadamente. Por altura de 1978, uma extensa rede de canais de irrigação estendeu-se pelos desertos para matar a sede ao algodão ao longo de 7,7 milhões de hectares, principalmente no Uzbequistão.

Os canais principais e secundários foram escavados na areia sem terem sido instaladas ligações tubulares, e não se procedeu à cimentação. Também não se prestou importância à drenagem dos solos. Menos de 10% da água absorvida era diretamente benéfica para a colheita, o restante desaparecia no solo arenoso ou evaporava-se. Foram estes programas largamente ineficazes que eram adotados para satisfazer a enorme procura de água que, por fim, resultaram na secagem do Mar de Aral. Imaginava-se que a resultante descida de nível poderia ser remediada com projetos ambiciosos de desvio de rios no norte da Rússia. Esses projetos nunca se realizaram e o lago continuou a secar ano após ano.

O resultado foi catastrófico, e a irrigação que fez florescer o deserto e aumentar os rendimentos, pôs em marcha uma desastrosa cadeia de acontecimentos logo detectados na descida dos níveis de água e no declínio da pesca. A partir de meados dos anos 80, em plena glasnost (abertura), a situação do Aral ganhou atenção junto a muitos observadores estrangeiros, como exemplo de calamidade ambiental. Desde então os cientistas pressionam de modo mais enérgico pela sua salvação. Infelizmente a essa altura, este já estava reduzido a um terço do seu tamanho original. Isso apesar de sua situação já ser conhecida da agenda dos políticos da Federação por mais de 30 anos.

O futuro do Aral é incerto. A única coisa certa é que o lago é agora cenário de uma catástrofe ambiental à medida que o nível de água declina e o ecossistema se degrada, provocando um ambiente de deterioração e condições de vida e de saúde precárias para os povos que vivem nas margens do lago. Seja qual for o futuro, esta situação certamente abriu os olhos aos governos do mundo. É um forte aviso à comunidade internacional e ilustra a rapidez – em menos de 20 anos – como uma tragédia humanitária e ambiental pode ameaçar toda uma região e a sua população. A destruição do Mar de Aral é exemplo clássico de desenvolvimento não-sustentado.

Bibliografia:

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_345576.shtml - Página Planeta Sustentável - Catástrofe do Mar de Aral

http://eternosaprendizes.com/2009/07/13/a-terra-vista-do-espaco-o-desaparecimento-do-mar-do-aral/ - Página Eternos Aprendizes - A Terra vista do espaço: o desaparecimento do Mar de Aral

http://resistir.info/asia/mar_de_aral.html - Página Resistir - A Tragédia Ecológica do Mar de Aral

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