Agente da Passiva

Por Paula Perin dos Santos
Para se compreender o que é agente da passiva, vamos entender o que seria voz ativa e voz passiva observando esses exemplos.

  1. Voz ativa: O homem derrubou a casa.
  2. Voz passiva: A casa foi derrubada pelo homem.

Basicamente, uma oração apresenta o sujeito (o homem), que pratica a ação e o objeto (a casa), que sofre essa ação. Dizemos então que essa oração está na voz ativa. Quando o sujeito é paciente, ou seja, quando ele sofre a ação em vez de praticar (a casa, exemplo 2), dizemos que a oração está na voz passiva, nesse caso, quem está praticando a ação é denominado de agente da passiva (pelo homem). Como você pode observar, o agente da passiva é o sujeito da oração, quando o verbo se encontra na voz ativa (exemplo 01). Percebemos isso fazendo a conversão das vozes.

Assim, podemos afirmar que agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação verbal, quando o verbo se apresenta na voz passiva. Geralmente o agente da passiva vem acompanhado da preposição por (e suas variações: pelo(s) e pela(s)) e raramente da preposição de. Vamos ver esses exemplos abaixo:

Voz passiva – o termo em destaque é o agente da passiva.

“Agora a casa está cercada de leões de fogo”. (Cecília Meireles)

“A carta foi entregue à moça pelo carteiro”.

Voz ativa, o termo em destaque tornou-se sujeito agente da oração, já que ele é quem pratica a ação verbal.

“Agora os leões de fogo cercaram a casa”.

O carteiro entregou a carta à moça”.

Tanto na oração de voz passiva quanto na ativa, o agente e o paciente continuam sendo os mesmos termos. Só a função sintática é diferente. Veja que na voz passiva, “de leões de fogo” é agente (função sintática=agente da passiva). Já na voz ativa, “leões de fogo” também é agente, pois age, atua com a função sintática de sujeito da oração.

O agente da passiva pode ser assim classificado quanto:

  • à relação: sempre está associado ao verbo transitivo na voz passiva.
  • à forma: sempre se liga ao verbo através de uma preposição, normalmente a preposição por e suas variações.
  • ao valor: indica o elemento que pratica a ação verbal.

Vamos analisar mais um exemplo:

Os reféns foram libertados pelos sequestradores.

No exemplo acima, o complemento grifado está associado a um verbo transitivo na voz passiva (foram libertados); ele também está ligado ao verbo por meio de uma preposição (pelos); bem como também indica o elemento que pratica a ação verbal (os sequestradores). Desta forma, o termo em destaque exerce a função de agente da passiva. Logo, “os reféns” exercem a função de sujeito paciente, pois sofrem a ação verbal.

Com a voz passiva sintética (simplificada), no português moderno, geralmente o agente da passiva fica indeterminado. Por exemplo:

Voz passiva sintética: Vendem-se apartamentos.

Voz passiva: Apartamentos são vendidos (por quem? Não é possível determinar).

Não é possível permutar a oração para a voz ativa, pois não sabemos quem pratica a ação, ou seja, não existe agente da passiva.

O agente da passiva só aparece como complemento de verbos transitivos diretos e bitransitivos (direto e indireto ao mesmo tempo), pois admitem a voz passiva do verbo. Fazendo a permutação do verbo da voz ativa para a passiva, e vice-versa, como fizemos nos exemplos de 1 a 4, ficará mais fácil identificar o agente da passiva numa oração.

REFERÊNCIAS
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 424-5.
SAVIOLI, Francisco de Platão. Gramática em 44 lições. 15ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 19.