Agente da passiva

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

Para se compreender o que é agente da passiva, é preciso entender primeiro o que chamam de voz nos estudos linguísticos. Voz é uma das características do verbo, definida pela relação entre o sujeito gramatical (aquele com o qual o verbo concorda) e o papel de agente ou de paciente do processo verbal. E essa característica, a voz verbal, é capaz de alterar a forma e a posição dos termos da oração.

Basicamente, uma oração na voz ativa é aquela que apresenta verbo na forma de voz ativa e estabelece concordância com sujeito gramatical, que exerce papel de agente da ação descrita pelo verbo; e o papel de paciente fica a cargo do complemento objeto do verbo. A título de exemplo, podemos observar a oração “Pedro limpou a janela”, que tem “Pedro” como elemento que exerce função sintática de sujeito gramatical (termo com o qual o verbo concorda) e assume papel temático de agente do processo verbal (aquele que realiza a ação descrita pelo verbo); o verbo “limpou” na forma de voz ativa; e o termo “a janela” como elemento que exerce função sintática de objeto direto do verbo e assume papel temático de paciente.

Em oposição, uma oração na voz passiva é aquela que apresenta verbo na forma de voz passiva e estabelece concordância com o sujeito gramatical, mas que exerce papel temático de paciente e não de agente, como na voz ativa. O papel temático de agente do verbo na voz passiva fica a cargo do termo a que chamamos Agente da Passiva. Tomemos como exemplo a oração do exemplo anterior alterada somente a voz verbal: “A janela foi limpa por Pedro”, em que temos o termo “A janela” como elemento que exerce função sintática de sujeito gramatical, mas que assume papel temático de paciente (o elemento que sofre a ação descrita pelo processo verbal); o verbo na voz passiva (com uso de“ser” como verbo auxiliar, que se encarrega de receber as desinências de tempo-modo e de número-pessoa, seguido pelo verbo principal no particípio passado); e o termo “por Pedro”, que é de fato o elemento que nomeia quem efetivamente executa a ação descrita pelo verbo, é quem assume papel temático de agente do processo verbal, porém, não é o sujeito gramatical da oração, por isso, chamado Agente da Passiva.

É importante notar que a forma do particípio passado pode ter mais de uma forma, são particípios de verbos chamados abundantes. E a forma usada na construção de voz passiva pode não ser a forma regular. De modo geral, tradicionalmente, as gramáticas descrevem a forma do particípio passado de verbos abundantes subdivida entre particípio regular (aquele terminado em -ado com verbos de primeira conjugação “falado, cantado, caminhado” ou -ido com verbos de segunda e de terceira conjugações “varrido, bebido, partido, ido”) e particípio irregular “aceito, entregue, expulso, coberto, dito, escrito”. A orientação das gramáticas tradicionais para verbos que possuem duas formas de particípio passado, uma regular e outra irregular (prender – prendido/preso; acender – acendido/aceso; matar – matado/morto), é a de usar a forma de particípio regular para a formação de tempos passados (como pretérito mais que perfeito “O rapaz já havia matado sua sede nas águas do rio”) e usar o particípio irregular na formação da voz passiva (“A vela foi acesa para o jantar”).

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