Tartaruga Marinha

Por Thais Nogueira
A tartaruga marinha é um réptil marinho vertebrado das famílias CheloniidaeDermochelyidae que está ameaçado de extinção. Esse animal tem uma casca que cobre seu corpo e que lhe serve de casa. Têm bicos serrados e escamas sobre a cabeça.

Existe um fóssil de uma tartaruga marinha que acredita-se que seja o mais antigo. O fóssil tem pelo menos 110 milhões de anos, foi encontrado no interior do Ceará, em Santana do Cairiri, na Chapada do Araripe.  Este fóssil foi batizado de Santanachelys gaffneyi. Em Santanachelys foi possível constatar que as tartarugas marinhas atuais não sofreram muitas modificações desde de os registros mais antigos. Esse animal viveu na terra e devido à necessidade de alimento passou a viver no mar.

Os quelônios sofreram diversas adaptações que os permitiram sobreviver tanto tempo em ambientes diferentes: diminuíram o numero de vértebras, ocorreu a fusão das costelas onde foi formada a carapaça óssea com revestimento córneo; as tartarugas marinhas ganharam um casco mais achatado contribuindo para hidrodinâmica e nadadeiras ao invés de patas.

No período Cretáceo existiam 4 famílias de tartarugas marinhas (Toxochelyidae, Protostegidae, Cheloniidae e Dermochelyidae ) no qual destas família apenas duas permanecem até os dias atuais (Cheloniidae e Dermochelyidae).

Esse animal tem olfato, audição e visão muito desenvolvidos. Atualmente, as tartarugas marinhas podem medir 2 metros e chegam a 600 kg (existem registros de uma tartaruga com quase uma tonelada). Elas vivem nas águas tropicais, principalmente no litoral. No Brasil são encontradas principalmente em Recife.

São carnívoras ou vegetarianas dependendo da espécie.

  • Carnívoras: Alimentam-se principalmente de águas vivas, peixes e outros animais do mesmo porte. Devido à contaminação no litoral, essas tartarugas confundem águas vivas com plástico e acabam morrendo engasgadas ou com problemas intestinais.
  • Vegetarianas: comem principalmente algas, o que cria condições para viverem no litoral brasileiro.

O acasalamento ocorre quando a fêmea escolhe o macho para “namorar” sendo que uma fêmea pode acasalar com vários machos. A fêmea lembra-se exatamente onde nasceu e volta ao mesmo local para botar seus ovos. Uma fêmea chega a botar ovos de 4 a 6 vezes por temporada, com 60 a 120 ovos por ninho. Os ovos demoram cerca de 50 dias para eclodirem, porém mais da metade dos ninhos não tem condições para a incubação dos ovos. Outro fator que impede o nascimento é o fato de alguns caranguejos e aves comerem os ovos quando acham um ninho.

Após o nascimento, os filhotes vão para a praia, porém muitos morrem no caminho já que existem aves, lagartos e outros animais à espera para devorá-los. Após estarem na água, têm de passar por outros obstáculos, como peixes e lulas. Após crescidos, seus predadores são os tubarões e algumas baleias.

A atual taxonomia reconhece 7 espécies de tartarugas marinhas:

Alguns especialistas ainda consideram uma oitava espécie, a Chelonia agassizi (tartaruga negra).

As tartarugas podem viver mais de 120 anos.

Preservação das Tartarugas Marinhas

Até os séculos XVII e XIX, foram bastante abundantes nos ambientes marinhos tropicais e subtropicais. Algumas espécies chegaram a ter milhões de indivíduos em suas populações, porém hoje em dia poucas populações destes animais não estão ameaçadas pela intervenção humana. Ações humanas que contribuíram para que ocorresse essa diminuição são a sobrepesca comercial, captura acidental, destruição de habitats de reprodução, descanso e alimentação, além da contaminação dos mares tem determinado a condição atual das tartarugas marinhas.

Em 1980 no Brasil se iniciou o Projeto Tartaruga Marinha (Projeto Tamar). O trabalho teve início com um levantamento feito pela costa brasileira - cerca de 4000 km,  - realizado da costa do Rio de Janeiro até o Amapá. Após dois anos de estudos, conseguiu-se a identificação das espécies presentes na costa, locais de desova e alimentação comprovados, distribuição e problemas enfrentados para sobreviverem.

Foram adotadas estratégias para a proteção das desovas. A principal foi a transferência dos ninhos para locais seguros onde os ovos eram cercados e protegidos durante o período de incubação. Quando as fêmeas subiam as praias para desova, eram marcadas com placa de aço inoxidável. Com essa marcação foi possível observar que estas mesmas fêmeas retornavam à praia para desovar novamente; foi observado também o período em que demoravam entre uma desova e outra e a fidelidade onde as mesmas desovavam.

A Fundação Pró-Tamar, criada em 1988, é uma instituição não governamental, sem fins lucrativos, considerada de Utilidade Pública Federal em 1996. A instituição tem como objetivo executar o trabalho de conservação das tartarugas marinhas, sendo responsável pelas atividades do Projeto Tamar nas áreas de administração, técnica e cientifica, captação de recursos junto à iniciativa privada e pela gestão do programa de auto sustentação.

Por: Thais Nogueira, com colaboração de Thais Pacievitch.

Fontes:
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/livro-vermelho/volumeII/Repteis.pdf
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-plano-de-acao/pan-tartarugas/livro_tartarugas.pdf
http://fio.edu.br/cic/anais/2009_viii_cic/Artigos/04/04.15.pdf
http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/BioBR/article/view/86
http://www.anp.gov.br/meio/guias/sismica/refere/tartarugas.pdf
http://mizzu-ane.blogspot.com.br/2011/01/archelon-ischyros.html