Anatomia vegetal

Especialista em Gestão Ambiental (AVM-RJ, 2012)
Graduada em Biologia (UFRural-RJ, 2009)

Assim como no homem e nos animais, os vegetais também apresentam células, tecidos e estruturas organizadas, e a Anatomia Vegetal estuda todo o funcionamento e organização dessas estruturas. Ela vai estudar tanto estruturas internas como externas, e sua origem se confunde com a descoberta das células por Hook em 1663.

A organização básica de um vegetal se constitui de Órgãos Vegetativos (raiz, caule e folha) e Órgãos Reprodutivos (flor, fruto e semente).

Órgãos Vegetativos

Raiz

Raiz Ramificada. Foto: Potapov Alexander / Shutterstock.com

Parte do vegetal que na grande maioria das espécies é subterrânea mas que em outras, podem aparecer na superfície. Tem duas funções básicas: fixação ao substrato, e absorção de água e sais minerais mas podem também apresentar as funções de armazenamento e condução.

Em alguns casos especiais as raízes podem se adaptar e acabar exercendo outras funções além das já citadas, como fotossíntese (caso de algumas Orquídeas), penetração no tecido de hospedeiras (plantas parasitas), constrição – estrangulamento – do tronco de árvores (algumas espécies de figueiras) ou suporte aéreo para tronco e/ou ramos.

Também encontramos alguns tipos de associações com outras espécies que são importantes para os vegetais, como é o caso da Micorriza, associação entre a raiz e fungos. Neste caso o fungo converte matéria orgânica em inorgânica e em troca a raiz fornece aminoácidos e outros elementos produzidos pelo vegetal.

Caule

Estrutura de sustentação e condução dos vegetais. Juntamente com as folhas forma o Sistema Caulinar que garante uma boa localização para que estas realizem a fotossíntese de forma eficiente.

Todo material produzido nas folhas é conduzido para o vegetal através do sistema vascular para as raízes, flores e frutos. Assim como todo material que é obtido pelas raízes.

Além disso vamos encontrar estruturas denominadas gemas que são responsáveis pelo crescimento do vegetal. Elas estão localizadas logo acima dos nós (de onde saem as folhas).

Alguns caules também podem exercer outras funções, eles podem ser fotossintetizantes (um exemplo é o Aspargo), podem armazenar água e carboidratos (cactos), podem se enrolar em outras plantas e locais (plantas trepadeiras) ou podem proteger aquele vegetal (formação de espinhos).

Folha

Estrutura responsável pela fotossíntese e trocas gasosas. É formada basicamente por pecíolo (base da folha), limbo ou lâmina (a folha em si) e bainha (que envolve o tronco e fixa a folha).

Seus formatos e tamanhos dependem muito das condições do local em que aquele vegetal vive. Disposição de água e exposição solar são fatores fundamentais e influenciam diretamente neste aspecto.

Além da fotossíntese (produção de alimento), as folhas também são responsáveis pela respiração e transpiração. Para isso conta com estruturas chamadas estômatos, que funcionam como portinhas que permitem a entrada e saída de ar e água. Durante o dia eles captam principalmente gás carbônico (elemento fundamental para a fotossíntese) mas também captam oxigênio (usado na respiração). E a noite, captam apenas oxigênio. A transpiração é a liberação do excesso de água da planta que durante o dia acaba por evaporar mas a noite se acumula em gotículas pelas folhas, o famoso orvalho.

Fotografia de estômatos em uma folha. Foto: Dimarion / Shutterstock.com

Assim como raízes e caules, as folhas também podem se adaptar para desempenhar outras funções no vegetal, como defesa (com a formação de espinhos e produção de substâncias tóxicas), armazenamento de água (plantas suculentas), para captura de insetos (plantas carnívoras), fornecer abrigo para animais como formigas e pequenos insetos, ou não existirem para evitar perda de água pelo vegetal.

Órgãos Reprodutivos

Flor

Principal órgão reprodutivo dos vegetais. Elas nascem das axilas das folhas e são formadas pelo receptáculo e o pedicelo (haste da flor).

No receptáculo encontramos o perianto, o androceu e o gineceu. O perianto vai apresentar as estruturas que mais conhecemos das flores, as pétalas (parte colorida) e sépalas (pequenas “folhas verdes” na base das pétalas, além dos estames e carpelos importantes na reprodução.

O Androceu é o órgão masculino das flores, onde encontramos os estames que produzem o pólen, que ficam armazenadas em estruturas chamadas anteras. E o Gineceu é o órgão feminino, onde são produzidos os óvulos e encontramos os carpelos. Os carpelos são formados pelo ovário, estigma e estilete. O estilete é responsável por receber e selecionar o pólen, o estigma liga o estilete ao ovário que, por sua vez, produz e abriga os óvulos.

As pétalas que trazem o colorido das flores, são responsáveis por atrair os polinizadores. Em alguns casos, os estames podem não produzir os pólens e passam a produzir substâncias (néctares) para também atrair os polinizadores.

Podemos encontrar flores isoladas (como as rosas) ou em conjuntos chamados inflorescências (como as flores do Flamboyant).

Fruto

É o desenvolvimento do ovário após a fertilização do óvulo e possui no seu interior a semente. As funções básicas do fruto é proteger, conservar e garantir o desenvolvimento das sementes.

Seu formato está intimamente ligado a sua forma de polinização, neste caso podemos ter frutos que podem manter seu interior mais úmido para o desenvolvimento das sementes, outros podem formar alas que irão se abrir e liberar as sementes para essas se espalhem com o vento ou água.

Semente

É o óvulo fecundado. Basicamente formado pelo embrião e tecidos nutritivos (endosperma e perisperma).

O embrião já possui estruturas jovens que darão origem ao novo vegetal, são elas radícula (que dará origem a raiz), epicótilo (dará origem ao caule) e os cotilédones (que darão origem as folhas).

Essa última estrutura é importante pois é parte fundamental da classificação das plantas em monocotiledôneas ou eudicoticoledôneas.

Fontes:

Judd et al. 2009. Sistemática Vegetal: Um Enfoque Filogenético. 3ª ed.; Editora ArtMed;

Sano, P.T., Mori, L., Biologia: Botânica, Módulo 6, USP;

Appezzato-da-Glória, B.; Carmello-Guerreiro, S. M.; 2006. Anatomia Vegetal. 2ª ed.; Editora UFV

Raven, P. H., R. F. Evert; S. E. Eichhorn. 1992. Biologia Vegetal. 5ªed. Worth Publishers

Referências Online:

http://portal.virtual.ufpb.br/biologia/novo_site/Biblioteca/Livro_4/7-Anatomia_Vegetal.pdf