Antóceros

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2017)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2012)
Graduação em Biologia (UNITAU, 2006)

Os antóceros pertencem ao grupo das briófitas. As briófitas ocorrem preferencialmente em ambientes úmidos e sombreados, como interior de florestas e próximas de rios, cachoeiras, etc. A maioria dessas plantas são terrestres, porém dependem da água para a reprodução, já que os gametas masculinos (denominados anterozoides) são flagelados e precisam da água para se deslocarem até o gameta feminino (chamado oosfera), o qual é imóvel. Essas plantas são importantes colonizadoras iniciais de superfícies de rochas e solos nus, contribuindo para a diversidade vegetal do ambiente.

Todas as briófitas apresentam em seu ciclo de vida uma alternância de gerações, ou seja, ocorre uma fase haploide (n), conhecida como gametófito, que se alterna com a geração diploide (2n), chamada de esporófito. O gametófito é o responsável pela produção de gametas, e também é o local onde ocorre a união do gameta masculino com o gameta feminino para formar o zigoto, que dará origem ao esporófito. O esporófito produz os esporos por meiose, sendo que estes irão originar novos gametófitos, completando o ciclo. No caso das briófitas, a geração gametofítica é a mais desenvolvida. O esporófito cresce em cima do gametófito e depende da sua nutrição para sobreviver.

O filo Anthocerophyta é pequeno, com cerca de 100 espécies. No Brasil, o gênero mais comum é o Phaeoceros. Apesar do gametófito dos antóceros se assemelharem aos das hepáticas talosas, podem apresentar algumas peculiaridades. Por exemplo, as células da maioria das espécies apresentam um único cloroplasto grande, com uma estrutura denominada pirenoide. O pirenoide é uma região diferenciada do cloroplasto, sendo o centro de formação do amido. Essa estrutura ocorre também em algas verdes. Outras espécies de antóceros, entretanto, apresentam células com muitos cloroplastos pequenos, sem pirenoide, como ocorre em quase todas as células vegetais.

Figura 1 – Gametófito e esporófito de uma espécie de antóceros. Foto: Bramadi Arya / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Os gametófitos podem ser unissexuados ou bissexuados, ocorrendo o desenvolvimento de muitos esporófitos em sua superfície. O formato do gametófito é frequentemente em forma de roseta e suas ramificações dicotômicas não são visíveis. São estruturas muito pequenas, possuindo de 1 a 2 centímetros de diâmetro. O gênero Anthoceros apresenta cavidades internas nos gametófitos onde muitas vezes vivem cianobactérias do gênero Nostoc. As cianobactérias fixam nitrogênio e o tornam disponível para a planta, contribuindo para a sua nutrição.

O esporófito é uma estrutura ereta e alongada, sendo formado por um pé e uma cápsula longa e cilíndrica, que corresponde ao esporângio. Ele é verde, apresentando várias camadas fotossintetizantes e estômatos, além de exibir uma cutícula. Os estômatos estão presentes também nos esporófitos dos musgos. A abertura do esporângio ocorre por fendas longitudinais, formando valvas semelhantes a fitas.

Referência bibliográfica:

Raven, P.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 830 p.