Ginkgo

Especialista em Gestão Ambiental (AVM-RJ, 2012)
Graduada em Biologia (UFRural-RJ, 2009)

Ginkgophyta é a divisão pertencente ao grupo das Gimnospermas que possuem como caraterística comum sementes nuas, ou seja, plantas que não possuem frutos.

Com seu registro do período Permiano (a cerca de 270 milhões de anos), atualmente possui apenas um gênero e uma única espécie, o Ginkgo biloba considerado um fóssil vivo. Suas características praticamente não tiveram mudanças nos últimos 80 milhões de anos, porém já não cresce espontaneamente pelo mundo, e é conservada ao entorno de parques e jardins de templos na China e no Japão. Nos últimos 200 anos, mudas foram introduzidas em outras partes do mundo e se adaptou bem a parques e jardins de regiões temperadas.

A planta é super resistente a poluição, por isso é muito encontrada em áreas urbanas. Por ter sobrevivido aos ataques de Hiroshima e Nagasaki e ter brotado numa terra totalmente devastada pela radiação, é considerada um símbolo de paz e longevidade na cultura oriental.

Ginkgo biloba. Foto:Ladislav Luppa / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Características

Árvore majestosa e atraente, de crescimento lento por conta do seu crescimento secundário, que faz com que o caule aumento sua circunferência. De porte grande, pode ter de 20 a 30 metros de altura.

Suas folhas são super características, apresentando nos ramos menores folhas inteiras e nos ramos mais longos lamina lobada em forma de leque (flabeliformes) e inervação dicotômica. Além disso são decíduas, ou seja, se tornam douradas e caem no outono.

São árvores dioicas como as Cicas (sagu-de-jardim), tendo árvores femininas e masculinas. Nas árvores femininas, seus óvulos nascem aos pares em ramos curtos, que no outono produzem sementes carnosas, de cor amarelo-pálido, com odor desagradável devido a presença de ácido butanoico que lembra manteiga rançosa. Porém seu caroço tem cheiro de peixe e é muito apreciado na culinária japonesa e chinesa.

Nas árvores masculinas, vamos encontrar os microesporângios (órgão masculino da planta) que abriga os microgametófitos (pólen - gametas) que serão dispersados pelo vento.

Ao entrar em contato com o óvulo, o pólen é levado por um tubo polínico não ramificado a um câmara chamada nucelo, onde o microgametófito forma uma sistema haustorial, mas que não gera prejuízo as células do nucelo. Esse sistema gera um estrutura semelhante a escamas que possui 2 grandes espermas flagelados, que com sua ruptura são liberados e vão de encontro com o óvulo para fecunda-lo.

Curiosidades e aplicações medicinais

  • Em alguns lugares do mundo, vemos apenas o cultivo de árvores masculinas, por conta do odor característico das sementes liberadas pelas árvores fêmeas.
  • Por conta de sua alta resistência a poluição, doenças e ataques de insetos, suas árvores são as melhores para serem plantadas em áreas urbanas, principalmente em avenidas principais.
  • O ginkgo é a árvore oficial da cidade de Kumamoto no Japão e suas folhas formam o símbolo da Universidade de Tóquio, que é famosa por suas inúmeras árvores de ginkgo.
  • Essa espécie também é muito usada nas artes do penjing e bonsai, por conseguirem se manter pequenas artificialmente e por muito tempo.
  • Suas folhas possuem substâncias que aumentam a circulação sanguínea, principalmente para os tecidos cerebrais auxiliando problemas de memória e tonturas.
  • Possui substâncias capazes de capturar radicais livres, com efeito antioxidante que ajuda a retardar o envelhecimento celular.
  • Também possui ação contra alopecia (queda de cabelo) e calvície; doenças brônquicas, enxaqueca, disfunção erétil por má circulação, problemas de visão (glaucoma e degeneração macular) e depressão.

Referências:

Raven, P. H., R. F. Evert; S. E. Eichhorn. 1992. Biologia Vegetal. 5ªed. Worth Publishers

Ensino de Botânica - Curso para atualização de professores de Educação Básica: A Botânica no cotidiano/ Organizado por Déborah Yara A. Cursino dos Santos, Fungyi Chow, Cláudia Maria Furlan – São Paulo: Universidade de São Paulo, Fundo de Cultura e Extensão: Instituto de
Biociências da Universidade de São Paulo, Departamento de Botânica, 2008.

Lousã, M. et al. Módulo de Botânica: Manual de Teorias e Práticas. Instituto Superior de Agronomia. Universidade Técnica de Lisboa. Portugal

http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Ginkgo

https://www.britannica.com/plant/ginkgophyte