Hipertensão arterial

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

Publicado em 22/04/2019

A pressão arterial (PA) está relacionada a força exercida pelo fluxo de sangue sob as paredes dos vasos sanguíneos. Ela possui valores esperados, considerados normais para adultos saudáveis, de 120 (pressão sistólica) por 80 mmHg (pressão diastólica). Aumentos temporários de PA ocorrem durante exercícios físicos, em situações de estresse, ansiedade e quando somos expostos a fortes emoções. Essas flutuações são normais e passageiras, sem trazer malefícios. Contudo, em alguns casos, as pessoas podem desenvolver quadros em que a pressão sanguínea fica elevada continuamente, chamada hipertensão, causando uma série de problemas de saúde.

Acredita-se que, somente no Brasil, mais de 50 milhões de pessoas sejam hipertensas. Valores de PA iguais ou acima de 130 por 85 devem ser monitorados com ajuda médica. Os fatores de risco que levam a hipertensão, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, são: idade, gênero, etnia, obesidade, ingestão demasiada de bebida alcoólica, excesso de sal na comida e sedentarismo.

Uma a cada duas pessoas com mais de 65 anos apresentam elevada PA devido a deposição natural de substâncias no lúmen dos vasos sanguíneos. Apesar de semelhante, a ocorrência de hipertensão em homens é mais comum do que em mulheres. Em relação a etnia, pessoas afrodescendentes tem um índice duas vezes maior de ocorrência de hipertensão quando comparados com a parcela branca da população. Independentemente da idade, qualquer grau de obesidade eleva as chances de pressão alta, assim como o consumo excessivo de sal. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde é uma ingestão de 5 g de sal por dia, o dobro da média de consumo dos brasileiros. A ingestão de álcool aumenta as chances de desenvolver uma série de problemas de saúde, sendo o sistema circulatório um dos mais afetados. Finalmente, o sedentarismo tem sido muito relacionado com a hipertensão, sendo que resultados promissores mostram que atividades físicas reduzem a ocorrência de problemas no coração, causando uma melhoria do desempenho cardíaco mesmo em pacientes pré-hipertensos.

A hipertensão é uma doença com causas ainda desconhecidas, mas o sinal de alerta principal é o aumento da pressão arterial para níveis fora do normal ocorrendo constantemente e por longos períodos de tempo. É importante monitorar continuamente a PA através de aparelhos eletrônicos de medição de pressão ou com o esfigmomanômetro. Pressões registradas entre 130-139 por 80-89 são classificadas como hipertensão estágio 1. Acima destes valores (>140/90 mmHg) caracteriza-se hipertensão estágio 2, que requer cuidados médicos. Em situações específicas, pacientes com problemas cardíacos ou diabéticos podem ter crises hipertensas em que a PA ultrapassa 180 por 120, o que pode ser extremamente perigoso e até mesmo fatal.

O número de mortes associadas a hipertensão ainda é elevado, apesar de muitas campanhas na mídia e uma grande quantidade de informação sobre essa condição estar disponível ao público. Isto porque a pressão alta é conhecida por ser assintomática, o que dificulta seu diagnóstico. Com o passar do tempo, uma pessoa que já possui PA elevada sofre com o enfraquecimento do músculo cardíaco e lesões nas artérias e veias. Isso porque o fluxo de sangue sob alta pressão requer mais esforço do coração e causa mais impacto sobre os vasos. A aterosclerose é outra condição agravada pela hipertensão, uma vez que o bloqueio de artérias por coágulos pode levar a enfarte isquêmico do miocárdio, aneurisma, insuficiência renal e hipertensão da retina, causando cegueira.

Referências:

Intersalt Cooperative Research Group. INTERSALT: an international study of electrolyte excretion and blood pressure. Results of 24 hour urinary sodium and potassion excretion. BMJ. 1988;297:319-28.

Lessa I. Epidemiologia da hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca no Brasil. Rev Bras Hipertens. 2001;8:383-92

Sociedade Brasileira de Cardiologia. V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol. 2006:1-48

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