Complexo regional do Nordeste

Especialista em Geografia do Brasil (Faculdades Integradas de Jacarepaguá, RJ)
Mestre em Educação (Estácio de Sá, 2016)
Graduado em Geografia (Simonsen, 2010)

Ao falarmos do Complexo Regional do Nordeste, ou da região geoeconômica do nordeste, é importante que não confundamos a mesma com a região nordeste que faz parte da regionalização oficial do Brasil, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é composta pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul, Norte e Centro-Oeste. Esta confusão pode se dar ainda mais por conta de muitas áreas em comum entre ambas as regiões.

O complexo regional do Nordeste é parte das regiões geoeconômicas do Brasil, uma regionalização ligada aos critérios econômicos de cada parte do Brasil, dividindo o Brasil nas seguintes regiões: Amazônia, Centro-Sul e Nordeste.

A região geoeconômica do nordeste é a menor em dimensões territoriais e também em desenvolvimento econômico das três regiões, mas ocupa a posição intermediária em termos de população. É a mais antiga em termos de ocupação pelos colonizadores europeus do território brasileiro.

Apesar de não possuir exatamente a mesma base geográfica da região nordeste conforme definida na regionalização oficial do IBGE, ainda assim, a base geográfica do complexo regional do nordeste, conforme definido na regionalização por critérios geoeconômicos, é quase a mesma (Maranhão, Ceará, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia e Sergipe).

As principais diferenças territoriais entre as “duas regiões nordestes” estão no fato do Nordeste geoeconomico não abranger quase metade do Estado do Maranhão, “perdendo” esta parte para a região da Amazônia, bem como a “perda” de uma pequena parte dos Estados do Piaui e da Bahia para a região Centro-Sul, porém com um acréscimo de parte do sertão de Minas Gerais.

Aspectos físicos

Com a mesma base territorial da região Nordeste definido pela regionalização oficial, em termos climáticos, predomina o mesmo esquema climático que na região nordeste instituída pelo IBGE, com o litoral possuindo a Zona da Mata, de clima tropical litorâneo e vegetação de mata atlântica, mais ao interior temos o Agreste como uma região de transição entre a Zona da Mata e o Sertão, mais ao interior temos o sertão de clima semi-árido (não deve ser confundido com o sertão mineiro que não necessariamente está atrelado ao semi-árido) e vegetação de caatinga. O semi-árido surge por conta do planalto da Borborema que impede que a umidade do oceano chegue até o sertão, sendo um grande limitador das chuvas na região.

Após o sertão, já quase na Região Amazônica, está a Mata de Cocais do Meio-Norte, que é uma mata de transição do semi-árido do sertão para a floresta equatorial amazônica. O nome da mata de cocais se dá pela presença de palmeiras como o açaí, o babaçu e a carnaúba.

Este esquema climático com um interior de difícil ocupação por conta do clima semi-árido, em conjunto com a ocupação brasileira (no caso da população de origem européia e africana) ter se iniciado pelas áreas costeiras e tendo nela ficado concentrada, o Nordeste acaba tendo a sua população bem concentrada na região litorânea.

Muitas vezes, a região Nordeste (tanto aquela da regionalização em macroregiões geoeconomica quanto aquela da regionalização oficial do IBGE) é lembrada apenas pelo sertão do cariri, especialmente no período de seca no semi-árido, quando na realidade podemos ver que há uma grande diversidade nordestina em termos climáticos, não apenas a pobreza do sertão que é lembrada na literatura, mas existe muita riqueza no nordeste (riqueza essa de ordem natural ou não).

Aspectos econômicos

Entre as atividades econômicas de destaque, bem distante da imagem de pobreza que muitos tem sobre a região, estão os setores de turismo nas praias e chapadas nordestinas, bem como a indústria ligada ao petróleo e a produção agrícola de caju, cana-de-açúcar (e os engenhos de refino), algodão, tabaco. A pecuária é centrada no gado bovino, porém existe a criação de ovinos, caprinos, suínos e aves. No Rio Grande do Norte fica também as principais salinas do Brasil, de onde são extraídos o sal que abastece o mercado nacional.

O rio São Francisco é um importante recurso natural, servindo não apenas ao abastecimento de água da região, mas também servindo para a construção de hidroelétricas e até para a navegação em alguns trechos do mesmo.

Aspectos demográficos e culturais

A cultura do Nordeste, já faz algum tempo, é bem consumida em outras regiões do Brasil. Seja por conta da migração de nordestinos para essas outras regiões em busca de melhores condições de vida ou através dos grandes nomes nordestinos em diversas artes (música, literatura, entre outros). O forró, a literatura de cordel, o axé, o frevo, o maracatu, o mangue beat, … Do nordeste que vieram grandes escritores como Graciliano Ramos, Jorge Amado, humoristas como Renato Aragão, Tiririca e Tom Cavalcante também foram originários dessa região.

A culinária nordestina também ganhou o Brasil, o biju de Tapioca, a manteiga de garrafa, o acarajé, o vatapá, a moqueca baiana, a carne de sol, o queijo coalho, queijo manteiga, dentre outros. A religiosidade nordestina também influenciou o resto do Brasil, dado o surgimento do Candomblé na Bahia (misturando elementos religiosos de vários cultos africanos) e que serviu como base para o posterior surgimento da Umbanda no Rio de Janeiro. A devoção do catolicismo popular nordestino ao padre Cícero Romão Batista também se espalhou por outros cantos do Brasil.

A composição étnica da região Nordeste é bem diversificada, apesar de possuir negros, brancos e índios em sua composição, vemos uma composição muito desigual em cada localidade da região. A população negra nordestina fica concentrada principalmente na Bahia, inclusive a capital baiana de Salvador é a maior cidade negra do mundo, fora do continente africano. Em Pernambuco temos uma forte presença branca de origem holandesa, sendo visível esses traços em personalidades como o ex-governador Eduardo Campos com sua pele, cabelos e olhos bem claros. A população de origem indígena e branca de origem portuguesa já estão melhor distribuídas pelo nordeste.

Referências:

Atlas Geográfico Escolar do IBGE (4ª edição)

https://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/article/regi%C3%A3o-Nordeste/483410

http://www2.sidneyrezende.com/noticia/25451+nordeste+e+a+regiao+mais+pobre+do+brasil+diz+ibge

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-03/os-467-anos-de-salvador-cidade-mais-negra-fora-da-africa

http://www.dnit.gov.br/hidrovias/hidrovias-interiores/hidrovia-do-sao-francisco

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