Clima semiárido

Graduanda em Geografia (IFSP)
Graduada em Biologia (UNICSUL, 2018)

Publicado em 25/01/2022
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Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, o clima das regiões semiáridas é classificado como Bswh, ou seja, B: um clima geral seco, chuvas anuais abaixo de 500mm; s: clima semiárido, com chuvas anuais entre 250 e 500mm; wh deserto ou semideserto quente com temperatura anual média igual ou superior a 18ºC. A região semiárida brasileira é quente, com temperatura média anual de 26,0ºC e com mínima e máxima médias de 21,2 ºC e 32,7 ºC, precipitação média anual é de 481,7 mm, a maior pluviosidade ocorre durante os meses de fevereiro a abril e a estação seca ocorre de junho a novembro.

Área de clima semiárido na África do Sul. Foto: Andre van der Veen / Shutterstock.com

Segundo o IBGE,

“O Semiárido brasileiro é uma região delimitada pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, SUDENE, considerando condições climáticas dominantes de semiaridez, em especial a precipitação pluviométrica. Como reflexo das condições climáticas, a hidrografia é frágil, em seus amplos aspectos, sendo insuficiente para sustentar rios caudalosos que se mantenham perenes nos longos períodos de ausência de precipitações. Constitui-se exceção o rio São Francisco.

Devido às características hidrológicas que possui, as quais permitem a sua sustentação durante o ano todo, o rio São Francisco adquire uma significação especial para as populações ribeirinhas e da zona do Sertão”.

Assim, o clima semiárido no Brasil se estende pela região Nordeste e parte do norte de Minas Gerais, ocupando 12% do território brasileiro, sendo uma das regiões de clima semiárido mais povoados do mundo. Essa região no Brasil apresenta, por conta dos prolongados períodos de seca, escassez de água para a população e para o plantio, formando o Polígono das Secas.

Característica desse clima são as altas temperaturas que levam a altas taxas de evaporação e evapotranspiração gerando áreas suscetíveis a desertificação. Dessa maneira, a Caatinga, vegetação adaptada para sobrevivência nessas condições, ao longo de milhares de anos foi exposta as condições ambientais da região, fazendo com que se tornasse uma vegetação característica desse clima. Apesar de parecerem mortas nos períodos de seca, a vegetação espaçada começa a florir na época das chuvas, devido a suas longas raízes, que absorvem água do interior do solo e cascas grossas, que as protegem do calor escaldante e diminuem a transpiração. Assim, onde há depressões, as chuvas permitem a ocorrência dos rios e a acumulação de água pelos vegetais, que “voltam a vida” durante o período chuvoso.

Os solos são pouco desenvolvidos, com características de areia por conta da escassez das chuvas e pouca vegetação, se tornam mais expostos, gerando a erosão e chegando à desertificação. Grande parte da região está localizada bem próxima do Equador, entre 5 e 10° S, resultando assim nas altas temperaturas e na baixa amplitude térmica já que recebe mais luz do Sol o ano todo.

Em algumas áreas desse clima, o relevo e a exposição aos ventos úmidos, dão origem a nuvens de chuvas, que abastecem os solos, o lençol subterrâneo e as nascentes de muitos rios. Nas áreas dos brejos e das serras úmidas, a precipitação excede os 800 mm, ultrapassando a média de 481mm. Na quase totalidade da região de clima semiárido, há a deficiência hídrica, por conta de a evapotranspiração ser maior do que as precipitações.

O clima dificulta a exploração dessa região, mas as ações de irrigação trouxeram benefícios para algumas áreas, tornando-as produtivas. Por outro lado, a ação antrópica desmatou parte da caatinga e a ação do homem em torno desse bioma, gera queimadas que destroem ainda mais a vegetação, causando instabilidade no ecossistema da região.

Bibliografia:

https://www.ibge.gov.br/geociencias/cartas-e-mapas/mapas-regionais/15974-semiarido-brasileiro.html?=&t=o-que-e

https://www.scielo.br/j/rbf/a/3swNNZ9ZNQSC95jtY3HfMnC/?lang=pt

https://revistas.ufrj.br/index.php/aigeo/article/view/31234/17708

https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/revista-geonorte/article/view/2561/2366

https://www.gov.br/mcti/pt-br/rede-mcti/insa/semiarido-brasileiro

http://www.dca.iag.usp.br/material/mftandra2/ACA0225/Classifica%C3%A7%C3%A3o%20Clim%C3%A1tica_junho2018-1.pdf

https://www.unirios.edu.br/revistarios/media/revistas/2011/5/a_regiao_semiarida_do_nordeste_do_brasil.pdf

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