Vegetação do Paraná

Mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia (UDESC, 2016)
Graduada em Geografia (UDESC, 2014)

O Estado do Paraná detém em seu território a grande diversidade e a maioria das principais unidades fitogeográficas que ocorre no país. Originalmente 83% de sua superfície eram cobertos por florestas, hoje restam apenas 5%, e a maior parte encontra-se em reservas pertencentes a Serra do Mar. Os 17% restantes eram ocupados por formações não-florestais (campos e cerrados), completados por vegetação pioneira de influência marinha (restingas), fluviomarinha (mangues) e flúvio-lacustre (várzeas), e pela vegetação herbácea do alto das montanhas (campos de altitude e vegetação rupestre).

No estado do Paraná é possível encontrar as seguintes formações fitogeográficas (vegetais):

A Floresta Ombrófila Densa (Floresta da Mata Atlântica) localizada predominantemente na porção leste do estado, é definida praticamente em toda sua extensão pela barreira geográfica natural da Serra do Mar. Influenciada diretamente pelas massas de ar quentes e úmidas do Oceano Atlântico e pelas chuvas relativamente intensas e bem distribuídas ao longo do ano, ela caracteriza-se pela grande heterogeneidade e exuberância nas formas biológicas (fauna e flora). Resultante da interação destes múltiplos fatores, ela possui ponderável influência sobre a dispersão e crescimento da flora e da fauna, e possui um extraordinário número de espécies endêmicas, ou seja, que são encontradas apenas nesse bioma. Nessa unidade, estão incluídas as formações florestais da Planície Litorânea, das encostas da Serra do Mar e de parte do vale do rio Ribeira.

A Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária) localiza-se a oeste da Serra do Mar, ocupando as porções planálticas do Estado. É uma unidade que contempla a coexistência das floras tropicais e temperada. A composição florística é fortemente influenciada pelas baixas temperaturas e pela ocorrência regular de geadas no inverno, e com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, mesmo que não receba influência do oceano. Possui como árvore marcante a Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná), sendo a espécie que se sobressai do restante das outras espécies componentes, formando uma cobertura arbórea própria e bastante contínua (hoje fragmentada), no entanto, não constitui uma formação homogênea, mas é formada por múltiplas associações e agrupamentos, que se encontram nos mais variados estágios de sucessão. Compreende as formações florestais típicas e exclusivas dos planaltos da região Sul do Brasil, com disjunções na região Sudeste e em países vizinhos (Paraguai e Argentina).

A Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Estacional) encontra-se nas regiões e oeste do Estado e nos vales dos rios formadores da bacia do rio Paraná. As formações vegetais dessa unidade têm como principal característica fisionômica a semidecidualidade, na estação desfavorável. Além da ocorrência eventual de geadas, a flora está condicionada a um período de baixa precipitação pluviométrica, quando 20 a 50% das árvores da floresta perdem suas folhas, modificando fortemente a fisionomia da vegetação. Esse fenômeno é praticamente restrito aos estratos superiores (árvores mais altas).

A Savana (Cerrado) está localizada nas regiões norte e nordeste, ocupando cerca de 1% da superfície. Esse tipo de vegetação, característico do planalto central brasileiro, encontra no Paraná o limite sul de ocorrência.

As Estepes (campos), presentes em extensas áreas, que abragem 14% da superfície do Estado, e entremeadas por capões e florestas de galeria (margens dos rios), encontram-se geralmente nas porções mais elevadas dos três planaltos paranaenses. A Savana e a Estepe constituem no Estado do Paraná resquícios de uma condição climática semi-árida anterior, associada à última glaciação.

No restante da superfície do Estado ocorrem restingas litorâneas, manguezais, várzeas, campos de altitude e vegetação rupestre, esparsamente distribuídos em função de condicionantes ambientais, onde os solos assumem papel preponderante.

Referencial Bibliográfico:

VELOSO, Henrique Pimenta et al. Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de janeiro: IBGE, 1992.

http://www.mauroparolin.pro.br/biogeografia/parana.pdf

http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/biomas

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,ibge-traca-o-retrato-do-desmatamento-no-brasil,887875

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