Restinga

Em ecologia, o termo Restinga é utilizado para definir diferentes formações vegetais que se estabelecem sobre solos arenosos na região da planície costeira. Esses ecossistemas são determinados fisicamente pelas condições edáficas (solo arenoso) e pela influência do mar e estão distribuídos ao longo do litoral brasileiro e por várias partes do mundo.

Mata de restinga. Foto: Frank L Junior / Shutterstock.com

Mata de restinga. Foto: Frank L Junior / Shutterstock.com

As restingas começaram a se formar há milhares de anos pelo recuo do nível do mar, direcionando grande quantidade de areia das plataformas continentais em direção à praia, com isso houve formação das planícies arenosas. Durante o Quaternário as variações no nível do mar ocorreram no mínimo três vezes, expondo e cobrindo áreas litorâneas que hoje formam as restingas.

A vegetação das restingas é influenciada por alguns fatores abióticos, entre os quais se destacam a topografia do terreno, que pode apresentar faixas de elevações (cordões arenosos) e faixas de depressões (entre-cordões) dependendo dos processos de deposição e remoção de materiais nessas regiões; a influência marinha, que diminui à medida que se avança para o interior e o solo, um importante condicionador e fator limitante da distribuição de formações florísticas. Essas condições ambientais determinam as diferentes fisionomias vegetais da restinga.

As principais fisionomias das áreas mais secas são:

  • Vegetação herbácea ou subarbustiva – vegetação rasteira com alguns arbustos, atingindo cerca de 1 metro de altura. Ocorre próximo ao mar, em praias, dunas, lagunas, banhados e depressões. Essa vegetação é denominada halófila-psamófila (adaptada às condições salinas e arenosas).
  • Vegetação arbustiva – localiza-se sobre cordões arenosos, formada por plantas arbustivas com até cinco metros de altura, que podem formar moitas separadas por áreas sem vegetação ou um adensamento contínuo. Possui poucas epífitas (liquens, samambaias, bromélias e orquídeas) e elevada quantidade de trepadeiras. É comum a presença de gramíneas no estrato herbáceo.
  • Floresta baixa de restinga – Ocupa áreas interiores da planície costeira. Vegetação predominantemente arbustiva e arbórea com árvores que podem chegar a 15 metros de altura. Grande quantidade de epífitas e poucas trepadeiras. O dossel é aberto e a flora herbácea é rica.
  • Floresta alta de restinga – ocorre mais distante do mar, dando sequência à floresta baixa de restinga, em solos bem drenados e com maior quantidade de nutrientes. O estrato é predominantemente arbóreo com dossel fechado e as árvores podem atingir 20 metros de altura.
Área de restinga em uma praia. Foto: Lucas Martins / InfoEscola

Área de restinga em uma praia. Foto: Lucas Martins / InfoEscola

Nas áreas entre cordões, que são mais baixas e sujeitas a alagamentos, ocorre a Floresta Alta Alagada de Restinga e a Floresta Paludosa, onde predominam espécies vegetais mais adaptadas ás condições de alagamento como a Caixeta (Tabebuia cassinoides) e o Guanandi (Calophyllum brasiliense).

A fauna é bastante rica. Muitas aves migratórias utilizam as restingas como locais de alimentação e descanso. Destacam-se o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), a coruja buraqueira (Spyotito cunicularia) e o formigueiro-do-litoral (Formicivora littoralis), ave endêmica de áreas restingas. Mamíferos como o mico-leão-caiçara (Leontopithecus caissara), queixada (Tayassu pecari) e lontra (Lontra longicaudis) também ocorrem. O maria-farinha é um caranguejo comum nas praias arenosas e cava suas tocas acima da área de maré. As tartarugas marinhas utilizam as restingas como locais de desova.

A restinga é um ambiente bastante prejudicado pela expansão urbana, que tem transformado extensas matas de restinga em áreas urbanas horizontais. Várias espécies da fauna e flora da restinga brasileira estão em extinção, por isso atualmente a conservação dos remanescentes existentes é prioritária.

Referências:
Azevedo, N.H.; Martini, A.M.Z.; Oliveira, A.A.; Scarpa, D.L.; PETROBRAS: USP, IB, LabTrop/BioIn (org.). Ecologia na restinga: uma sequência didática argumentativa. 1ed. São Paulo: Edição dos autores, Janeiro de 2014. 140p.

http://www.meioambiente.pr.gov.br/arquivos/File/cobf/V1_Restinga.pdf

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