Restinga

Por Graziele Kaminski Guidi
Restinga é a palavra bastante usada no Brasil, com algumas definições, nas quais merecem destaques algumas. Conjunto de formações vegetais que revestem as areias litorâneas, desde  o oceano até as primeiras encostas da Serra do Mar; entre botânicos, nome da vegetação lenhosa, e densa relativamente, da parte intensa, plana, mais afastada da praia.

Mata de restinga. Foto: Frank L Junior / Shutterstock.com

Mata de restinga. Foto: Frank L Junior / Shutterstock.com

Segundo a Resolução do Conama n. 261/1999 (Brasil, 1999),

Um conjunto de ecossistemas que  compreende comunidades vegetais florística e fisionomicamente distintas, situadas em terrenos predominantemente arenosos, de origens marinha, fluvial, lagunar, eólica ou combinações destas, de idade quaternária, em geral com solos pouco desenvolvidos. Estas comunidades vegetais formam um complexo  vegetacional edáfico e pioneiro, que depende mais da natureza do solo que do clima, encontrando-se em praias, cordões arenosos, dunas e depressões associadas, planícies e terraços.

A formação desses terrenos é muito afetada pelos ação dos ventos e das águas marinhas, cuja vegetaçào varia muito. Assim, é necessário tratar os aspectos topográficos e vegetacionais em conexão.

As fontes dos cascalhos e areias marítimas constituem as imensas massas rochosas emersas, batidas pelas ondas, e a plataforma continental, ambas de natureza cristalina, quase exceção. O movimento perene das águas e das correntes oceânicas reduzem o feldspato e a mica a uma espécie de lodo, e libertam ao mesmo tempo partículas de quartzo, convertendo-as em areia.

Das praias, as areias são transportadas para o interior, através dos ventos. Expelidas pelas ondas do mar, secas ao sol, as areias são sopradas contra pequenas elevações já existentes, vindo a formar as dunas. Essas dunas são quase sempre inaparentes, mas em certos casos como por exemplo em Santa Catarina podem medir 9 km e atingir 10 m de altura. As dunas variam de forma e posição, em função dos ventos dominantes. A vegetação pouco sofre com os deslocamentos, pois se adapta facilmente às mudanças do substrato móvel.

Além das dunas móveis, ocorre também as dunas fixas, isso ocorre devido a vegetação mais robusta, normalmente com vastas planícies arenosas cobertas de plantas. Ademais, brejos e lagoas, em alguns casos com ampla extensão.

Ocorre diferentes tipos de litoral marítimo como por exemplo, grandes molhes rochosos, que formam elevados morros, cristas, muralhas, etc.

A praia que está sujeita a inundações pelas marés altas, sem plantas instaladas, habitando esse local encontra-se o caranguejo maria-farinha, que cava buraquinhos na areia.

Em seguida vem a anteduna, localizada entre o limite da maré alta e o início das dunas, nesse local vivem plantas halófilas (que convivem com sal).

As dunas se estendem, as vezes com morros altos, outrora mais baixos. Em geral as areias de dunas forma planícies imensas. De regra, durante parte do dia a brisa sopra do mar para o interior, a brisa noturna vai em direção contrária. Nas dunas é o local onde ocorre água subterrânea (água doce), o lençol é próximo da superfície. O ar úmido é constante, com chuvas bem distribuídas.

As dunas móveis têm flora cosmopolita (habitante em todo mundo) nos litorais tropicais, com ervas, capins e subarbustos, na sua grande maioria rasteiros.

Com vegetação compacta, as dunas fixas possuem areia branca e estéril, em alguns pontos com matéria orgânica e cor fusca. Nesse local ocorre brejos, com vegetação hidrófita (que vivem na água) e lagoas internas.

A vegetaçào da restinga em alguns pontos apresenta floresta baixa, úmida e viçosa, em forma de ilhotas. Algumas espécies são típicas da restinga, como por exemplo: bromélia terrestre (Aechmea nudicaulis), cipo alto (Bougainvillea spectabilis) e angelim da praia (Andira legalis).

Devido a expansão urbana e a caça indiscriminada vêm ocorrendo o desaparecimento de espécies faunísticas da restinga. Exemplos de mamíferos são o jaguar (panthera) e a suçuarana (felis), porco-do-mato (tayassu pecari), cachorro-do-mato (cerdocyon) e o coati (nasua).

Fontes:
AB'SABER, A. N.Ecossistemas do Brasil. Metalivros, 2006.
COUTO, Ronaldo Graça. coord. Ecossistemas Brasileiros. BRASIL: Index, 1988.
FRONTIER, Serge. Os ecossistemas. Instituto Piaget, 2001.