Neurite óptica

Por Débora Carvalho Meldau
Neurite óptica, também conhecida como neurite retrobulbar, é a inflamação do nervo óptico que pode resultar na perda parcial ou total da visão. Esta inflamação gera uma desmielinização, que é uma alteração na camada de mielina presente na superfície do nervo, impedindo a transmissão de modo correto da informação pelo nervo.

A etiologia da neurite óptica nem sempre é encontrada, sendo denominada, neste caso, idiopática. Outras causas englobam a esclerose múltipla, infecções virais (como a varicela, caxumba, herpes, entre outras) e outras afecções inflamatórias (como a sífilis, tuberculose e sarcoidose).

A íntima relação entre a neurite óptica e a esclerose múltipla ocorre devido ao fato de que aproximadamente 15 a 20% dos casos de esclerose se manifestar, a princípio, por neurite e 40 a 50% dos pacientes que possuem esclerose múltipla desenvolvem neurite em algum ponto do curso da doença.

As manifestações clínicas da neurite óptica caracterizam-se pela clássica tríade de sintomas composta por perda de acuidade visual, dor ocular e discromatopsia (percepção anormal das cores). Ao redor de 70% dos pacientes apresentam a afecção unilateralmente. Tipicamente, inicia-se com dor na área periocular, especialmente quando há movimentação do globo ocular. Subsequentemente, há uma redução da visão nesse olho e, nesse momento, a dor normalmente diminui, permanecendo apenas a alteração da visão.

O diagnóstico inicia-se por meio de uma boa anamnese, juntamente com exame clínico do paciente. Exames complementares específicos devem ser solicitados, com a escolha variando de acordo com a suspeita clínica do clínico, sendo que dentre eles, a ressonância magnética e o potencial evocado visual são de grande importância.

Exames laboratoriais, como exames de sangue, radiografia torácica e punção lombar, são de extrema importância na exclusão dos diagnósticos diferenciais; todavia, acrescentam pouco em um caso típico de neurite óptica. A análise do líquor, no qual se observa a presença de proteína básica de mielina, bandas oligoclonais e IgG alta, sugere diagnóstico de esclerose múltipla.

Mesmo que nenhum tratamento seja estabelecido, há uma recuperação gradativa da acuidade visual após algumas semanas do início dos sintomas. Embora boa parte dos pacientes recupere a acuidade visual, certas deficiências, especialmente na sensibilidade ao contraste, podem ser permanentes. Uma vez ocorrido o quadro de neurite óptica, a probabilidade de recorrência gira ao redor de 28% dentro dos primeiros 5 anos.

O tratamento varia de acordo com a etiologia da doença. O ONTT (Optic Neuritis Treatment Trial) foi um estudo multicêntrico que objetivou determinar um protocolo de tratamento para a afecção em questão. Este estudo definiu que a neurite óptica associada à esclerose múltipla e a neurite óptica isolada apresentaram melhores resultados terapêuticos quando se utilizou a metilpredinisolona intravenosa.

Fontes:
http://gratisblogs.net/cancer/neurite-optica-tratamento-o-que-e-neurite-optica/
http://www.clinicabelfort.com.br/pt/sua-saude/doencas/neurite-ptica/
http://www.iobh.com.br/pg.php?cntID=93
http://www.sboportal.org.br/sbo/scripts/ap/resumos/neurite_optica.asp
http://esclerosemultipla.wordpress.com/2006/04/27/neurite-optica/
http://www.copacabanarunners.net/neurite-otica.html

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