Neurite óptica

Mestre em Ciências Biológicas (Universidade de Aveiro-SP, 2013)
Graduada em Biologia (Universidade Santa Cecília-SP, 2003)

Neurite óptica é uma patologia visual caracterizada pela perda axonal no nervo óptico e da retina, o afinamento da camada de fibras nervosas da retina e supressão da camada que faz o revestimento dos nervos, a bainha de mielina (desmielização). Com o comprometimento da oferta da sinalização neuronal e a morte celular, pode provocar um déficit visual ou uma perda visual permanente.

Causas

A afecção é, provavelmente, devido a algum processo inflamatório, onde há um atraso na reação de hipersensibilidade tipo IV que é induzida pelos mediadores inflamatórios, como a liberação de citocinas, que ativam as células T citotóxicas que causam danos diretos: ao atravessar a barreira hematoencefálica (estrutura especializada que controla e regula a homeostase do cérebro, medula espinhal, líquido cefalorraquidiano com o restante dos sistemas), destroem a mielina, causam a morte de células neurais e a degeneração axonal.

A causa mais comum é de natureza idiopática, entretanto a patologia pode ter origem por diversos motivos:

A neurite óptica pode ainda ser um episódio agudo ou grave da neuromielite óptica, uma afecção do sistema nervoso central com uma condição desmielizante e necrotizante que acomete o nervo óptico e a medula espinal. É conhecida como neurite óptica desmielinizante isolada.

A doença pode ser categorizada em:

  1. Neurite retrobulbar, inflamação do nervo óptico na região posterior do olho, com aparência normal do disco óptico da retina.
  2. Papilite, inflamação do disco óptico da retina na região frontal, que apresenta inchaço.
  3. Perineurite, inflamação que envolve a bainha do nervo óptico, enquanto o disco óptico pode ou não ficar inchado.
  4. Neurorretinite, com edema de disco óptico da retina e da mácula.

Os dois primeiros tipos estão associados principalmente à esclerose múltipla, enquanto os dois últimos estão requentemente associados à doenças infecciosas ou inflamatórias.

Sintomas

Os indivíduos acometidos pela doença podem apresentar dor ocular, estocoma, defeito no campo visual e discromatopsia (o defeito para a visão do vermelho/verde é causado pelo defeito no nervo óptico, para a visão do amarelo/azul é causado pela retina – doença macular).

Diagnóstico

Um exame oftalmológico completo deve ser realizado para um diagnóstico da doença, sendo que uma ressonância nuclear magnética do cérebro pode ser necessária para averiguar se existe alguma doença desmielinizante no cérebro.

Tratamento

O tratamento terapêutico utiliza esteróides e imunonomoduladores, e visa a prevenção da perda axonal e recuperar a visão. Além disso, propõe a inibição de citocinas pró-inibitórias e células T autorreativas, indução de citocinas imunossupressoras e redução da migração de células no sistema nervoso central.

Referências:

CARDOSO, L. M.; ZACHARIAS, L. C.; MONTEIRO, M. L. Neuropatia óptica auto-imune: relato de caso. Arq Bras Oftalmol, v. 69, n. 4, p. 593-5, 2006.

HOORBAKHT, H.; BAGHERKASHI, F. Optic neuritis, its differential diagnosis and management. The open ophthalmology journal, v. 6, p. 65, 2012.

SATO, D.; FUJIHARA, K. Atypical presentations of neuromyelitis optica. Arquivos de neuro-psiquiatria, v. 69, n. 5, p. 824-828, 2011.

ROJAS, H.; RITTER, C.; DAL PIZZOL, F. Mecanismos de disfunção da barreira hematoencefálica no paciente criticamente enfermo: ênfase no papel das metaloproteinases de matriz. Rev Bras Ter Intensiva, v. 23, n. 2, p. 222-227, 2011.

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