DOI-CODI

Por Tiago Ferreira da Silva
DOI-CODI, sigla de Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, foi um órgão repressor criado pelo Regime Militar brasileiro (1964-1985) para prender e torturar aqueles que fossem contrários ao regime.

Edifício do DOI-CODI (SP)

Os agentes do DOI-CODI eram treinados nos moldes da instituição americana National War College, que aprisionava combatentes que se opunham à hegemonia norte-americana na Guerra Fria. No Brasil, os militares desse órgão eram treinados na Escola Superior de Guerra (ESG) e defendiam os ideais de direita disseminados pelos ditadores.

Presente em praticamente todos os estados, o DOI-CODI já capturou e torturou grande número de estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), que organizavam marchas contra a ditadura, além de elaborar emboscadas e assassinar pensadores e intelectuais da época que defendiam os ideais comunistas.

Em São Paulo, as instalações do DOI-CODI eram situadas na Rua Tutóia, próximo ao Aeroporto de Congonhas, onde hoje funciona o 36º Batalhão Policial. No Rio de Janeiro, ficava no bairro da Tijuca.

Apesar do caráter repressivo e violento dos agentes do DOI-CODI, eles eram famigerados por organizar emboscadas mal articuladas. Em São Paulo, em 1975, durante o mandato do General Ernesto Geisel (conhecido por ser o mandatário mais violento da Ditadura Militar), o DOI-CODI capturou e prendeu o jornalista Vladmir Herzog, alegando que ele disseminava ideais comunistas. Depois de torturá-lo violentamente e assassiná-lo, apresentaram seu corpo à imprensa, argumentando que ele se suicidou ao se enforcar. Entretanto, seus pés estavam praticamente caídos no chão e o cinto que simulava o enforcamento não estava em uma altura suficiente para que Herzog cometesse aquele ato. Além disso, Herzog estava terrivelmente machucado, resultado dos espancamentos dos agentes do DOI-CODI.

Além de Herzog, muitos estudantes e intelectuais foram presos. Alguns, ainda hoje, permanecem desaparecidos. Até maio de 1975, documentos do extinto Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) mostram que o DOI-CODI foi diretamente responsável por 50 mortes e mais de 6.700 ocorrências de presos políticos.

Com o fim da Ditadura Militar, em 1985, automaticamente o centro de inteligência do DOI-CODI foi extinto. Porém, ainda hoje não se sabe o destino de muitos presos políticos capturados por esses agentes.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/DOI-CODI
http://www.adusp.org.br/revista/34/r34a10.pdf