Governo de Ernesto Geisel

Por Antonio Gasparetto Junior
O Governo de Ernesto Geisel foi o quarto dentro do Regime Militar brasileiro.

Nascido em Bento Gonçalves no dia 3 de agosto de 1907, Ernesto Beckmann Geisel era filho de imigrantes alemães. Sua formação educacional ocorreu no Colégio Militar de Porto Alegre e, mais tarde, tornou-se oficial formado pela Escola Militar de Realengo. Foi militar brasileiro por toda sua vida até ingressar na carreira política em 1964, quando o presidente Castelo Branco o nomeou Chefe da Casa Militar de seu governo. Em 1967, chegou ao cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar. Até que, em 1974, foi eleito Presidente da República com 80% dos votos em uma chapa que contava com o vice Adalberto Pereira dos Santos. Cabe ressaltar que naquele momento da história do Brasil as eleições eram indiretas, Ernesto Geisel era o representante da ARENA e seu adversário nas urnas era o representante do MDB. Não era o povo que escolhia o presidente, e sim o colégio eleitoral. Por isso, o número total de votos foi de apenas 476.

Ernesto Geisel assumiu a presidência no dia 15 de março de 1974, sucedendo Garrastazu Médici. O Brasil vinha do período mais aguda da Ditadura Militar, pois em 1968 havia sido publicado o Ato Institucional número 5 que suspendia direitos políticos, institucionalizava a censura e dava amplos poderes ao governo militar. Foi entre os anos de 1968 e 1973 também que o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, período no qual o país cresceu economicamente em níveis altos. O fim desta fase já fazia florescer o questionamento da população. Sendo assim, o Governo de Ernesto Geisel ficou caracterizado pela abertura política que promoveria certa amenização do rigor vigente na Ditadura Militar.

O militar gaúcho Ernesto Geisel era da linha mais branda do exército. Integrou, inclusive, o grupo que se opôs à candidatura de Costa e Silva à Presidência da República. Costa e Silva foi um grande representante da chamada Linha Dura do exército brasileiro, ala que acreditava que os militares deveriam ficar por tempo indefinido no poder e usar da força para estabelecer a ordem, foi ele quem decretou o AI-5. Logo, quando Ernesto Geisel assumiu o poder, recebeu muitas críticas da Linha Dura. Em desacordo com os mais extremistas, Geisel foi o responsável por extinguir o AI-5 e preparar o terreno para o retorno dos exilados, o que aconteceria no governo de seu sucessor. Embora tenha caminhado muito lentamente, foi o responsável pelo processo de redemocratização do país “lento, gradual e seguro”, como ele mesmo dizia. Entretanto, foi sob seu governo que houve o famoso caso de Vladimir Herzog.

Economicamente, Geisel criou o II Plano Nacional de Desenvolvimento para manter a economia aquecida pós-Milagre Econômico. Mas sua política aumentou a dívida externa e a hiperinflação ajudou a intensificar os problemas monetários, deixando um estado de recessão para seu sucessor. Foi um desenvolvimentista, responsável por inaugurar as primeiras linhas de metrô em São Paulo e no Rio de Janeiro e por buscar novas fontes de energia, como o álcool. Foi Geisel também que construiu grande parte da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Em sua política externa, o Governo de Ernesto Geisel evitou o alinhamento incondicional aos Estados Unidos. Reconheceu regimes socialistas no mundo e reatou relações diplomáticas com a China, o que fez aumentar as críticas da Linha Dura. Geisel deixou a presidência no dia 15 de março de 1979 e foi sucedido por João Figueiredo. Continuou influente no exército e apoiou Tancredo Neves nas eleições de 1985. Faleceu em 12 de setembro de 1996, vítima de câncer.

Fonte:
ARAÚJO, Maria Celina de & CASTRO, Celso (Orgs.). Ernesto Geisel. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1997.