Objeto Indireto

Por Paula Perin dos Santos
O objeto indireto é o complemento verbal dos verbos transitivos indiretos. Isso quer dizer que ele está associado ao verbo com o auxílio de uma preposição. Veja o exemplo:

“Os partidos de oposição não confiavam em seu governo”.

Note que na frase acima, o verbo (confiavam) estabelece uma relação de dependência com o seu complemento (em seu governo). Como essa relação acontece indiretamente, com o auxílio de uma preposição (em), classificamos o termo como objeto indireto.

Esse complemento pode ser assim classificado quanto:

  • à relação: sempre está associado ao verbo transitivo.
  • à forma: sempre se liga ao verbo através de uma preposição.
  • ao valor: indica o paciente ou destinatário da ação verbal.

Vamos ver alguns exemplos:

  1. “Os investigadores desconfiaram das informações”.
  2. “Os promotores responderam ao público”.

No exemplo 1, o complemento grifado está associado a um verbo transitivo (desconfiaram); ele também está ligado ao verbo por meio de uma preposição (das); bem como também indica quem sofre (o paciente) a ação verbal. Logo, o complemento verbal deve ser classificado como objeto indireto.

No exemplo 2, o complemento em destaque associa-se ao verbo transitivo (responderam) com o auxílio de uma preposição (ao), indicando a quem se dirige (o destinatário) a ação verbal. Constitui também, desta forma, como objeto indireto.

Outra maneira bem fácil de identificar o objeto indireto em uma oração é descobrir se a regência verbal admite preposição. Para isso, é só fazer a pergunta ao verbo. Se a resposta obtida se der através de uma preposição, trata-se de um objeto indireto. Vamos treinar?

“Eu preciso (de quê?) de dinheiro” = objeto indireto.

“Minha mãe gostou (de quê?) da pintura da casa” = objeto indireto.

“Carlos confiava (em quem) na primeira esposa” = objeto indireto.

O objeto indireto pode se apresentar numa oração não só por meio um substantivo ou expressão substantivada, como nos exemplos já apresentados, mas também através de:

- Um pronome:

“E as mãos colhem flores sem dar (pelo quê?) por isso”. (Fernando Pessoa)

“Não gostaria (de quê) de pelar (expressão substantivada) o texugo, uma vez que devemos gostar (de quem?) dele (preposição+pronome)”. (Carlos Drummond)

- Oração subordinada substantiva:

“Procuro esquecer-me (do quê?) do modo de lembrar que ensinaram”. (Alberto Caeiro)

Desta forma, lembre-se sempre que o objeto indireto sempre está ligado ao verbo transitivo através de uma preposição. Fazendo a pergunta ao verbo da maneira como ensinamos neste artigo não tem como errar na classificação.

REFERÊNCIAS
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 423.
SAVIOLI, Francisco de Platão. Gramática em 44 lições. 15ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 18-9.