Aves aquáticas

Graduação em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2014)

Aves aquáticas são aquelas aves ecologicamente dependentes ou semi-dependente de áreas úmidas para forrageamento, moradia ou reprodução. As aves dependentes ficam pouco tempo em locais secos, e passam a maior parte da vida nas áreas úmidas. Já as semi-dependentes são aquelas que até conseguem passar muito tempo em áreas secas, mas suas características morfológicas de bico, pés e pernas são resultado de um longo processo de adaptação às áreas úmidas. Os locais denominados áreas úmidas são ecossistemas aquáticos cobertos por água doce com elevada produtividade primária, como lagos, manguezais e pântanos, que associada à complexidade ambiental, contribuem nas atividades de alimentação, nidificação e descanso das aves aquáticas. Estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo, pois sofrem com a ação de pesticidas, produtos químicos e efluentes de indústrias e comunidades humanas que são descartados nesses locais, sendo consideradas áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.

Gansos - Aves aquáticas da família Anatidae. Foto: Maria Balakhontseva / Shutterstock.com

O período de reprodução para a maioria das aves aquáticas brasileiras se concentra entre os meses de setembro e fevereiro. A escolha dos locais para construção dos ninhos depende da proximidade e qualidade das áreas de alimentação, assim como a estrutura da vegetação e a proteção do local. Geralmente essas aves formam agregações para se reproduzir, que podem concentrar de poucos pares a milhares de indivíduos. A reprodução de forma colonial é uma importante estratégia anti-predatória. O tamanho da população reprodutiva é resultado da relação entre o local escolhido, a disponibilidade de alimento, a distância do local para a área de forrageio e a abundância disponível de presas. Diversos fatores podem prejudicar o sucesso reprodutivo da colônia, como o abandono do ninho pelos adultos, a queda de filhotes e principalmente a predação. Por esse motivo, essas aves são consideradas boas bioindicadoras no monitoramento das áreas alagáveis que habitam, pois suas atividades relacionadas à reprodução estão intimamente ligadas às mudanças hidrológicas do ambiente.

Essas aves desempenham importantes funções ecológicas nos ecossistemas em que estão inseridas. As diferentes guildas alimentares das aves aquáticas que existem, como detritívoras (se alimentam de restos orgânicos), carnívoras, filtradoras, piscívoras (se alimentam de peixes) e onívoras (se alimentam de outros animais e de plantas), contribuem para a ciclagem dos nutrientes e, consequentemente, para o equilíbrio do ecossistema como um todo. Além disso, durante a alimentação, fornecem matéria orgânica (nutrientes) que cai na água e beneficia a microfauna, aumentando a população de peixes. Em particular, as aves piscívoras desempenham importante papel nas teias alimentares, pois retiram das populações os indivíduos de peixes menos aptos, contribuindo para a seleção natural.

Mergulhões - Aves aquáticas da família Podicipedidae. Foto: Enrique Aguirre / Shutterstock.com

O grupo das aves aquáticas compreende 14 famílias, das quais podemos destacar:

  • Alcedinidae: grupo encontrado em quase todo o planeta. Possui bico grande e a plumagem é densa e lisa, bem justa ao corpo em adaptação à vida aquática. Alimenta-se principalmente de peixes e crustáceos.
  • Anatidae: Patos, gansos e marrecos. Vivem em ambientes aquáticos ao redor de todo o mundo, exceto na Antártica. São onívoros e apresentam bicos com lamelas filtradoras que filtram o plâncton de águas lênticas.
  • Anhimidae: Família composta por apenas três espécies sul-americanas. Vivem na beira de rios e áreas pantanosas e sua dieta é essencialmente vegetariana.
  • Podicipedidae: Família dos mergulhões. Estão presentes em todos os continentes, exceto nas regiões polares.  Alimentam-se de peixes, insetos, moluscos e crustáceos.
  • Rallidae: família que inclui as saracuras, sanãs, galinhas-d'água, pintos-d'água, frangos-d'água e carquejas. O grupo habita regiões pantanosas, margens de rios ou lagos em zonas de vegetação densa. São onívoros.
  • Ardeidae: socós e garças. Frequentam rios, lagoas, charcos, praias marítimas ou manguezais de pouca salinidade, e se alimentam de peixes, sapos e outros animais aquáticos. Algumas garças, como a garça-vaqueira, se alimentam de insetos e não são consideradas aves aquáticas.

Garça - Ave aquática da família Ardeidae. Foto: Rebecca McHaffie / Shuttestock.com

Bibliografia:

Alexandre Venson Grose, Marta Jussara Cremer & Nei Moreira- Reprodução de aves aquáticas (Pelicaniformes) na ilha do Maracujá, estuário da Baía da Babitonga, litoral norte de Santa Catarina- Biotemas, 27 (2): 117-127, junho de 2014

Carolina Isabel Miño & Sílvia Nassif Del Lama- Sistemas de Acasalamento e Biologia Reprodutiva em Aves Aquáticas Neotropicais- Oecol. Bras., 13(1): 141-152, 2009

Paulo de Barros Passos Filho & Severino Mendes de Azevedo Junior- Aves Aquáticas de Lagoas na Caatinga- http://www.eventosufrpe.com.br/jepex2009/cd/resumos/R1114-1.pdf

Maria Augusta Miranda Ribeiro & Reginaldo Cardoso Ferreira- Riqueza e Distribuição das Aves Aquáticas do Parque do Carmo – Olavo Egydio Setúbal, São Paulo, Brasil ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.18; p. 3380, 2014

http://www.wikiaves.com.br/aves_do_planalto_central:aves_aquaticas

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