Liga Árabe

Mestra em Geografia (Unicamp, 2017)
Bacharela em Geografia (USP, 2014)
Licenciada em Geografia (UEL, 2009)

A Liga Árabe (ou Liga dos Estados Árabes) é uma organização multilateral formada por Estados Árabes, que tem por objetivo fortalecer os laços econômicos, políticos e culturais entre os países membros e atuar na mediação de conflitos e disputas comerciais.

Países Membros

Atualmente, a Liga Árabe conta 21 países-membros. São eles: Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Catar, Comores, Djibouti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Palestina, Omã, Somália, Sudão, Tunísia e Síria, cuja participação foi suspensa em novembro de 2011 em resposta à Guerra Civil que afeta o país desde março desse mesmo ano.

História da Liga Árabe

A Liga Árabe foi formada em 22 de março de 1945, no Cairo, Egito, com base no Protocolo de Alexandria, assinado em 07 de outubro de 1944 por Egito, Iraque, Síria, Jordânia e Líbano. O Protocolo de Alexandria acordava a formação de uma organização árabe, com participação igualitária de seus países-membros, onde fosse possível discutir mecanismos de coordenação das políticas internas da região.

A busca por uma unidade árabe entre os países do Oriente Médio e da África do Norte remonta à Revolução Árabe contra o Império Turco Otomano, que teve início em 1916. Após a dissolução do Império Turco Otomano, havia o interesse em unificar o mundo árabe em uma única nação.

Entretanto, após o fim da revolta, os países árabes se viram obrigados a lutar pela sua independência, uma vez que seus territórios eram colonizados por França e Inglaterra. As guerras de independência mobilizaram a ascensão de ideologias nacionalistas na região, de forma a ideia de uma unificação árabe foi substituída pela criação de uma aliança multilateral que tivesse como um de seus interesses proteger a independência dos países-membros. É neste contexto de luta contra a colonização que nasce a Liga dos Estados Árabes.

Como forma de defender o território árabe de interesses colonizadores, a Liga Árabe manifesta solidariedade à causa Palestina e organiza um boicote econômico à Israel, em 1948. Em 1979, contrariando o posicionamento da Liga, o Egito assina um acordo de Paz com Israel, o que acarreta na suspensão do país e na transferência da sede da Liga Árabe para Túnis, na Tunísia. A suspensão durou 10 anos, com o Egito só sendo readmitido em 1989, quando a sede retornou para o Cairo.

Em 2003, com exceção do Kuwait, todos os membros da Liga se opuseram à invasão norte-americana ao Iraque. Apesar disso, países-membros que haviam se manifestado contrários a invasão, como Bahrein e Qatar, permitiram que o Estado Americano utilizasse seus territórios como base de operação para o ataque ao país vizinho, provocando desgaste político na Liga.

Em 2011, foi a vez da Líbia ser suspensa da organização como resposta ao violentos ataques perpetrados pelo governo contra protestos pacíficos que criticavam a ditadura de Muammar al-Gaddafi. A reação do Estado, levou à Guerra Civil na Líbia, ocorrida no contexto da Primavera Árabe.

Estrutura

A estrutura da Liga Árabe é formada por: Conselho, Conselho de Defesa, Conselho Econômico e Social e Secretariado Geral.

O Conselho é órgão supremo da organização, composto por representantes de todos os membros. Cada Estado tem direito a um voto nas decisões do conselho.

O Conselho de Defesa, por sua vez, é formado pelos Ministros de Relações Exteriores e de Defesa dos Estados-membros. O órgão trata de assuntos ligados à defesa e segurança territorial dos Estados-membros.

Já o Conselho Econômico e Social é formado pelos Ministros da Economia dos Estados-membros e tem por objetivo promover o desenvolvimento econômico na região.

O Secretariado Geral, diferentes dos conselhos, é um órgão administrativo e executivo, composto por um Secretário-Geral, eleito pelo Conselho para mandatos de cinco anos, secretários assistentes e funcionários. Entre as atribuições do Secretariado Geral está a elaboração do orçamento da Liga e o agendamento das reuniões do Conselho. Desde 2016, o Secretário Geral da Liga Árabe é o egípcio Ahmed Aboul Gheit.

Críticas

A Liga Árabe é criticada por não ter conseguido atingir seus objetivos de coordenar as políticas internas de seus membros e fortalecer os laços entre os Estados Árabes. Uma das causas que impedem a união dos Estados Árabes, é o aprofundamento das disputas entre os grupos sunitas e xiitas, uma vez que a Liga é acusada de ser controlada por grupos sunitas.

Outro fator que impede o desenvolvimento da região, é a presença de ditaduras, que atravancam a participação da população nas decisões políticas locais. E, por fim, a Liga é criticada pela falta de cooperação entre seus membros para o combate aos grupos terroristas que atuam na região.

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