Feitorias

Graduada em História (UFRJ, 2016)

Feitoria era um local, fortificado ou não, geralmente próximo a um porto. Funcionavam como entreposto comercial nas colônias das potências europeias na época da expansão marítima. Antes dessa prática ser trazida para o Brasil, ela foi muito utilizada durante a Idade Média, tendo como grande influenciador as Grandes Navegações. Era também uma forma de defender os interesses comuns dos mercadores, interferindo nas relações econômicas e políticas. Quem administrava as feitorias eram os feitores (posto de confiança do Rei, sendo escolhidos entre a nobreza) cujas funções eram gerenciar o comércio, os mercadores e fiscalizar os escravos. Espalhadas por terras litorâneas onde havia passagens de navegadores, garantiam ainda a segurança e a jurisdição do país que representavam. Importante também esclarecer que elas monopolizavam a cobrança de taxas de navegação e impostos sobre os navios e sobre as mercadorias. As mesmas funcionavam como mercado, armazém, alfândega, defesa e ponto de apoio à navegação e exploração. Em muitas ocasiões, essas mesmas feitorias, serviam ainda como sede do governo das comunidades do local.

Como Portugal foi o pioneiro nas grandes navegações, o país teve as primeiras feitorias. A mais antiga data de fins do século XIV, sendo fundada em Flandres, criada na cidade de Bruges, chamada de Feitoria de Antuérpia. Os historiadores apontam grande diversidade de mercadorias nas feitorias: ouro, especiarias, escravos, açúcar, pimenta malagueta, madeiras, cavalos, cereais, penas de aves exóticas, pedras preciosas, sedas, porcelanas. Exemplo de uma grande e importante feitoria de Portugal foi a Casa da Índia, em Lisboa, que acabou sendo destruída pelo terremoto de 1755, e que tomava as decisões no que toca aos preços da compra e venda das mercadorias que circulavam no monopólio português. Já a primeira feitoria no continente africano foi a de Arguim, datada de 1448, atraindo os mercadores muçulmanos no norte da África, monopolizando o mercado daquela região. Houve também feitorias no Oceano Índico como Goa e Malaca. Foi graças a essas feitorias que Portugal estabeleceu seus domínios comerciais nos oceanos Índico e Atlântico.

Como afirmado anteriormente, no Brasil também houve feitorias implantadas pelos portugueses. Elas foram as primeiras tentativas de exploração do litoral brasileiro. Após uma viagem de reconhecimento pela costa brasileira em 1501 realizada por iniciativa da Coroa portuguesa e comandada por Gaspar de Lemos e tendo a bordo Américo Vespúcio sendo este crucial para o êxito da viagem. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, se descobriu a possibilidade da comercialização em larga escala do pau-brasil. Fernando de Noronha através de um grupo de mercadores, que Boris Fausto chama de consórcio, recebeu o monopólio comercial do pau-brasil durante três anos em troca de enviar seis navios todo ano para explorar cerca de dois mil quilômetros da costa. O arrendamento foi renovado mais duas vezes, nos anos de 1505 e de 1513. Esse arrendamento teve como consequência a doação, datada de 1504, da primeira capitania hereditária no litoral brasileiro, doada pelo rei D. Manuel a Fernando de Noronha: a ilha de São João da Quaresma, que hoje possui o nome de seu dono, Fernando de Noronha.

Assim, se percebe a importância econômica e política das feitorias estabelecidas por Portugal.

Referências Bibliográficas:

ABREU, C. Capítulos da história colonial [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisa Social, 2009. 195 p. ISBN 978-85-7982-071-7. Available from SciELO Books http://books.scielo.org.

ARRUDA, José Jobson de A., PILETTI, Nelson. Toda História - História Geral e do Brasil. Editora Ática, 13ª edição, SP, 2007.

COSTA, Marcos. A História do Brasil para quem tem pressa. Rio de Janeiro: Valentina, 2016.

DEL PRIORE, Mary, VENANCIO, Renato. Uma Breve História do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.

FERNANDES, Fernando Lourenço. A Feitoria Portuguesa do Rio de Janeiro. HISTÓRIA, São Paulo, 27 (1): 2008, p. 155 – 194.

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