Objeto Direto

Por Paula Perin dos Santos
Para se identificar o objeto direto na oração, é imprescindível que você tenha noções sobre transitividade e intransitividade verbal.

O objeto direto é o complemento verbal dos verbos transitivos diretos. Isso quer dizer que ele está associado ao verbo sem o auxílio de uma preposição. Veja o exemplo:

“Os partidos de oposição pressionavam o governo”.

Note que na frase acima, o verbo (pressionavam) estabelece uma relação de dependência com o seu complemento (o governo). Como essa relação acontece diretamente, sem o auxílio de preposição, classificamos o termo como objeto direto. Vejamos esses versos de Drummond:

“Eu preparo uma canção
Em que minha mãe se reconheça...”

Uma maneira fácil de identificar o objeto direto nestes versos é perguntando ao verbo “eu preparo o que”? “Uma canção”, seria a resposta (objeto direto). Só pelo pronome interrogativo (o que), que está sem preposição, já podemos classificar o complemento como objeto direto.

Savioli (1989) estabelece que, quanto à relação, o objeto direto vem sempre associado a um verbo. Quanto à forma, ele se liga ao verbo sem o auxílio de uma preposição. Já quanto ao valor, o objeto direto indica o paciente, o alvo ou o elemento sobre o qual recai a ação verbal. Vamos observar como isso acontece:

“Lá sim, a vida era alegre, havia muitas casas, muita gente, e festas, igrejas, lojas...” (Questão da FASP).

Os termos grifados estão relacionados a quem? Ao verbo “havia”. Como se dá essa relação em sua forma? Com ou sem preposição? Sem preposição. O que os termos indicam? Os elementos sobre os quais a ação verbal incide. Desta forma, todos os termos em destaque são objetos diretos do verbo impessoal (haver).

Vale a pena lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os, as sempre exercem a função de objeto direto. Já os pronomes me, te, nos, vos tanto funcionam como objeto direto como indireto. Isso vai depender da transitividade do verbo.

  1. “Puxou-me para a escada”. (Marcos Rey)
  2. “O homem estendeu-me a mão”. (Fernando Sabino)

No exemplo 1, podemos perguntar ao verbo: “Puxou quem para a escada?” (me=eu, objeto direto); já no exemplo 2, perguntamos ao verbo: “o homem estendeu a mão a quem?” (a mim). A presença da preposição não admite a classificação do complemento como objeto direto.

REFERÊNCIAS
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 421.
SAVIOLI, Francisco de Platão. Gramática em 44 lições. 15ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 17-8.