Orações subordinadas substantivas

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

As sentenças ou orações subordinadas, ao contrário das sentenças coordenadas, são dependentes entre si, de modo que uma se subordina a outra, para completamentação ou determinação de seu sentido. Observe:

É necessário que todos os alunos realizem a inscrição.

Ao ser feito o desmembramento das orações, têm-se:

  • Oração 1: É necessário
  • Oração 2: [que] todos os alunos realizem a inscrição.

Constate que a primeira oração (chamada de “principal”) precisa de complementação: “É necessário o quê?”. Dessa maneira, “que todos os alunos realizem a inscrição” funciona como termo integrante da principal. Vale destacar que, nesse caso, a referida integração é feita por meio da conjunção subordinativa “que”.

As orações subordinadas se dividem em: substantivas (quando exercem a função de substantivo); adjetivas (quando exercem a função de adjunto adnominal) ou adverbiais (quando desempenham a função de adjunto adverbial).

As orações subordinadas substantivas podem ser:

  1. Subjetivas - funcionam como termo essencial (sujeito) da oração principal: "É imprescindível que você participe do evento."
  2. Objetivas Diretas - exercem a função de objeto direto do verbo presente na oração principal: "O prefeito disse que o prazo para as licitações será prorrogado."
  3. Objetivas Indiretas - cumprem a função de objeto indireto do verbo que as antecede: "Eles gostaram de que fosse feita a pesquisa."
  4. Completivas Nominais - complementam o nome (substantivo) contido na oração principal: "Tenho convicção de que ele retornará o mais brevemente."
  5. Predicativas - desempenham a função de predicativo do sujeito: "O problema da monografia é que você não cumpriu com todos os objetivos traçados."
  6. Apositivas – funcionam como aposto (termo explicativo da oração principal): "Desejo-lhe uma coisa: que tenhas um abençoado 2016!"

É pertinente salientar que, normalmente, as orações subordinadas substantivas são introduzidas pelas conjunções integrantes “que” e “se”. Porém, podem ser iniciadas, também, pelos pronomes: quem, que (relativo), quantos, como, onde, por que, quando, qual (is).

Que X Se

Observe a seguinte situação comunicativa:

Olívia namora há sete anos com Pedro e, há três anos, eles estão noivos. Ela não vê a hora de ser pedida em casamento... Chega de enrolação, não é mesmo? Quando é que Pedro fará o pedido?

  1. Olívia não sabe se Pedro a pedirá em casamento ainda neste ano.
  2. Olívia não sabe que Pedro a pedirá em casamento ainda neste ano.

(Situação elaborada pela autora deste artigo, a fim de abordar o sentido das conjunções integrantes “que” e “se”.).

Agora, responda: qual das duas opções faria com que Olívia desse pulos de alegria?

Certamente, você concluiu que a opção “b” faria com que Olívia desse pulos de alegria e, diga-se de passagem, de alívio! Mas, por quê? Primeiramente, propõe-se o desmembramento das orações que compõem as opções. Veja:

  • Oração 1: Olívia não sabe
  • Oração 2: Pedro a pedirá em casamento ainda neste ano.

Constate que a conjunção “que” integrou as orações, relacionando as ideias pré-existentes (conforme demonstra o desmembramento feito). Note que a segunda oração contém a resposta para a dúvida de Olívia. Em contrapartida, ao serem unidas pela conjunção “se”, a oração subordinada apresenta a dúvida de Olívia quanto à decisão do amado. Perceba o quanto a presença de uma conjunção pode interferir no significado de um enunciado para o bem e para o mal!

Para concluir: As orações subordinadas, como a própria nomenclatura sugere, são as orações que se subordinam a outras (às chamadas “principais”), complementando-as. Vale reiterar que as orações principais e as subordinadas se unem, por serem dependentes entre si, por meio de uma conjunção.

Leia também:

Referências:
BRASIL. Casa Civil da Presidência da República. Manual de Redação da Presidência da República. – Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm>.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Subordinação – A oração subordinada como termo de outra oração. In: ___ Nova gramática do português contemporâneo. 5.ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008, p. 612-631.

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