Era Mesozóica

Doutorado em Geociências (USP, 2015)
Mestrado em Geologia Sedimentar (UNISINOS, 2008)
Graduação em Ciências Biológicas (UNISINOS, 2006)

A Era Mesozóica (= vida intermediária), corresponde a uma das Eras do Éon Fanerozóico, e compreende o período de tempo entre 250 a 65 milhões de anos atrás. Esta Era se subdivide nos períodos Triássico (250 a 199 m.a.), Jurássico (199 a 154 m.a.) e Cretáceo (145 a 65 m.a.). O Mesozóico é especialmente conhecido pelo aparecimento, domínio e extinção dos dinossauros, é a “Era dos Dinossauros”. Quando esta Era começou, existia um único continente, o Pangeia. O clima no interior do Pangeia era inicialmente árido, quente e seco, originando os grandes desertos arenosos, o que gerou depósitos de rochas de arenito, caracterizadas pela coloração avermelhada.

Escala geocronológica destacando a Era Mesozóica. Ilustração: alinabel / Shutterstock.com

Período Triássico

Durante o período Triássico, novas faunas e floras surgiram repovoando o planeta após a mega extinção do final do período Permiano. Surgiram os primeiros dinossauros, bem como os mamíferos ovíparos. No final do Triássico (a aproximadamente 200 m.a.), o Pangeia iniciou sua fragmentação, desencadeada por um extenso episódio de vulcanismo, que ficou registrado na forma de rochas basálticas, principalmente no sul e sudeste do Brasil, e na África. Ainda no final do Triássico, ocorreu a “extinção do Triássico-Jurássico”, onde cerca de 20% das famílias marinhas, dos arcossauros (exceto os dinossauros) e dos grandes anfíbios foram extintos. As causas dessa extinção possuem várias teorias, porém, nenhuma definida, mas entre elas destacam-se: variação no clima e no nível do mar, desencadeadas pelo início da separação dos continentes, impacto de um asteroide, erupções vulcânicas em massa. Essa extinção foi determinante para a evolução das espécies, sendo que foi o que permitiu que os dinossauros desempenhassem um papel dominante no período Jurássico e Cretáceo.

Período Jurássico

O período Jurássico é marcado pelo final da separação do Pangeia, que deu origem a dois super continentes, a Laurásia, a norte, e o Gondwana, a sul. O Jurássico é conhecido por ser o “período dos dinossauros”, a idade de ouro dos grandes Saurópodes, Apatossauros, Doplodocus, e muitos outros que serviram de alimento para os grandes terópodes, como o Alossauro (figura abaixo). Neste período, a maioria dos anfíbios já era do tipo moderno. Alguns dos carnívoros menores desenvolveram penas e deram origem as proto-aves. Pequenos mamíferos se desenvolveram, e fizeram o papel ecológico de insetívoros e roedores modernos. As plantas gimnospermas foram muito bem representadas, sendo as coníferas as árvores de grande porte mais diversificadas na época. Nos mares, havia uma grande diversidade, incluindo gastrópodes, bivalves, amonites, entre tantos. Em terra, as famílias e ordens modernas já se estabeleciam, como os coleópteros, homóptera, hymenoptera primitivos. Nesse período, que surgiram as plantas com flores e os mamíferos marsupiais. As rochas jurássicas ocorrem no Brasil, nas bacias sedimentares do nordeste, e são representadas por arenitos e folhelhos vermelhos. Nos arenitos, ocorrem fósseis de fragmentos de troncos de coníferas, alguns com mais de 3 metros de comprimento. Nos folhelhos, são comuns fósseis de ostracodes e conchostráceos. Restos de peixes e outros fragmentos de vertebrados ocorrem raramente.

Estátua de um Alossauro. Foto: Marysha / Shutterstock.com

Período Cretáceo

No período Cretáceo, os continentes começam a migrar para a posição que ocupam atualmente. Durante esse período, existiu uma grande biodiversidade em todos os grupos. Ao final do Cretáceo, as plantas já tinham evoluído para várias formas modernas. A diversificação das Angiospermas estimulou a evolução dos insetos, e mais grupos modernos apareceram, como as formigas e as borboletas. Os anfíbios foram representandos por rãs e salamandras. Os micro-organismos plantônicos e invertebrados marinhos desenvolveram novos grupos, como os equinodermos, gastrópodes e corais. Os dinossauros alcançaram o seu ápice, sendo difícil contar onde os dinossauros terminavam e os pássaros começavam. Apareceram ainda, muitos mamíferos novos, incluindo placentários, marsupiais e monotremados (mamíferos que põem ovos, como o ornitorrinco). Acredita-se que a separação dos continentes contribuiu fortemente para o isolamento geográfico global das espécies, o que diferenciou fauna e flora. O final do período Cretáceo (final da Era Mesozóica), e transição para a Era Cenozóica são marcados pela 2ª maior e mais conhecida extinção em massa da história da Terra, a extinção do K-T (Cretáceo - Terciário – o antigo período da Era Cenozóica), a aproximadamente 65 m.a., com e extinção de 25% das famílias, e 75% de todas as espécies do planeta, entre eles, a extinção dos dinossauros, entre outros grandes grupos continentais e marinhos. A causa mais aceita para essa extinção, é que a queda de um asteroide tenha desencadeado uma reação em cadeia a partir da sua colisão, como o efeito estufa, ativação de vulcões, e consequente acidificação das águas da chuva e dos oceanos.

O ápice dos dinossauros durante o Período Cretáceo. Ilustração: AmeliAU / Shutterstock.com

Referências:

1. TEIXEIRA, W.; FAIRCHILD, T.; TOLEDO, M.C.M. & TAIOLI, F. (2007). Decifrando a Terra. 2ª edição, São Paulo, SP; Companhia Editora Nacional, 623p.

2. PRESS, F.; SIEVER, R.; GROTZINGER, J. e JORDAN, T.H. (2013). Para entender a Terra. Tradução R. Menegat (coord.), 6ª edição, Porto Alegre, RS; Bookman, 656p.

3. http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal Escola/Breve-Historia-da-Terra-1094.html

4. http://www.scotese.com/climate.htm

Arquivado em: Geografia, Geologia